Categoria:RPG

Em nome da Rosa — Recompensando suas personagens

Itens mágicos espalhados em uma mesa. Um pote de vidro com líquido verde, um colar de brilhante azul. Uma algibeira esverdeada e um colar com um escaravelho dourado.

No final de uma aventura, é comum termos a seguinte pergunta: “Então mestra, a gente upou?”. Ou até mesmo “Quanto de gold ficou para cada?”. Recompensar suas personagens com dinheiro ou evolução na ficha é algo bem comum nos RPGs, mas nem sempre isso será o suficiente. Por que derrotar um demônio por um punhado de dinheiro apenas?

Um título, artefato ou uma mudança significativa de status podem ser muito mais interessantes, e até mesmo criar ganchos para novas narrativas em suas mesas. E Blue Rose RPG está cheio de dicas e opções de como recompensar suas jogadoras de forma personalizada e criativa!

Clássicos por um motivo…

Certo, querendo ou não, tesouros e level up são a forma mais direta de causar satisfação em seus jogadores. É uma estimativa quantitativa, os números aumentam, mas ela não precisa ser a única força motriz. Afinal, nós não necessariamente interpretamos esse aumento.

No entanto, Itens especiais podem ser uma opção que trará mais camadas para sua aventura. Uma simples Pedra da Memória (Blue Rose pág. 329) adquirida após o pedido de algum nobre, ou enquanto vasculhava uma cidadela em ruínas, pode se tornar o plot principal para novos arcos de sua mesa.

Pense primeiro em como essas gratificações mais clássicas interagem com a proposta de sua mesa. Apenas dinheiro não faz sentido quando você está debaixo da asa de um grão-duque, junto vem alguns benefícios

Tal qual os velhos Romances…

No capítulo 11 do livro básico, logo no início, nos é apresentado 3 formas de recompensa que estão muito ligadas a literatura de fantasia romântica. Uma delas, até mesmo presente nos livros antigos de cavalaria, as Honrarias.

Esses títulos especiais são dados como forma de reconhecer grandes feitos, dado geralmente por um nobre ou até mesmo na aclamação pública, elas logo identificam quem é o personagem e uma de suas características mais marcantes. Conceder a alguém o epíteto de Coração Puro (pág.321) significa que a personagem é um herói de tamanha bondade, incansável, e que ajudará todas as pessoas sempre que puder.

Já os Títulos de Nobreza propriamente ditos, são um reconhecimento direto de poder e status. Em Aldea, cada reino tem sua própria forma de concebê-los, como o teste do cetro em Aldis — região principal do cenário. Mas isso não impede que os personagens a consigam de outras maneiras.

Ser um nobre em Aldea significa ser, antes de tudo, provedor. A nobreza muda de tempos em tempos, ainda na sombra dos problemas do passado, e por isso se faz necessário. Honras como Duquesa ou Barão são pessoas que podem e vão ajudar a população, existe uma carga de responsabilidade — que pode ser a linha guia de sua aventura!

Ilustração de mulher com roupas nobres de pé, erguendo nas mãos uma medalha para colocar na cabeça de uma mulher guerreira, ajoelhada à sua frente.

A jornada são os amigos que fizemos no caminho

Por mais que a frase do título seja um clichê antigo, e até que bem controverso, novos Companheiros (pág.325) na jornada são uma forma de criar progressão e dar novos recursos a seus jogadores. Aquele escudeiro que se junta depois de salvarem a terra dele, e no futuro se tornando um bravo guerreiro, pode ser bem mais realizador do que simplesmente pegar o dinheiro e partir para a próxima.

NPCs que acompanham o grupo são sempre bem-vindos, com determinada parcimônia. Não devem roubar a função de jogadores, mas sempre serem aquele apoio necessário para que a aventura continue.

Mas se novas pessoas não se unem a você, que tal ir atrás delas? Afiliações entram no mesmo grupo que Companheiros. Estar junto a uma organização de respeito ou renome facilita a vida das personagens, mas é necessário conhecer os limites dela. Tal qual o anterior, Afiliações não podem resolver os problemas dos personagens, e também sua influência não pode ser abusada.

Dentro de uma organização, existe um microcosmos de títulos e honrarias também, considere isso ao utilizá-las em suas Séries românticas.

Solo Leveling para 3DeT Victory

Solo Leveling é uma web novel sul-coreana escrita por Chugong que se passa em um ambiente urbano contemporâneo onde portais misteriosos, chamados de dungeons, se abriram e liberaram monstros de outros mundos. Desde então, algumas pessoas desenvolvem habilidades mágicas e trabalham como caçadoras, matando os monstros ainda no interior das dungeons para evitar que eles saiam e machuquem civis. O título rendeu uma animação, cuja primeira temporada estreou no início de janeiro de 2024. Confira abaixo as fichas feitas pela Pri dos personagens principais que já apareceram no desenho (sem spoilers do que ainda está por vir!):

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Fichas de Palworld para 3DeT Victory

Em 3DeT Victory, um mundo de Pals será normal! Palworld é um jogo de simulação e aventura que combina construção, criação e combate em um mundo habitado por criaturas chamadas Pals. Os jogadores podem domesticar, treinar e usar Pals para diversas finalidades, de agricultura a batalhas (eles são realmente Pal pra toda obra). Antes que a fúria da gigante de videogames japonesa caia sobre eles (e sobre nós), vem conferir três fichas de Palworld para 3DeT!

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Teatro Arcano – Jogando com a Magia

mulher de capuz com as mãos unidas em frente ao corpo, tendo brilho esverdeado saindo de suas mãos.

A primeira vez que eu joguei RPG foi em 2017, como complete de um grupo já formado. Jogamos o cenário de Arton, e estavam precisando de um conjurador no grupo, logo, criei Aldrich Salujah, meu Mago Qareen. A escolha de ser um mago, meio gênio, e ainda por cima devotado à deusa da magia, não foi um simples acaso, nem só uma utilização dos termos que já existiam no jogo. Percebi mais tarde que, aquelas escolhas, inconscientemente possuíam um propósito.

Esse texto é um complemento ao já antigo Abordando Recursos Mágicos. Naquela edição do Teatro Arcano, eu falava sobre como uma pessoa narradora poderia usar a magia em sua narrativa, agora, algum tempo depois, volto a falar justamente sobre esse recurso que eu tanto amo, mas pensando nos jogadores.

O que é a magia?

“É a energia que está depois da trama, que permite manipular a realidade”, “É por a sua vontade sob a matéria”, “É minha expressão artistica”, “A magia é vida, e por isso não pode ser negada”. Qualquer resposta é válida. Magia é um termo abrangente e de múltipla interpretação, indo de poder sobrenatural até sinônimo para conhecimento ou sabedoria. Pergunte para qualquer pessoa que é adepto de alguma vertente ocultista, as respostas serão diversas até entre pessoas da mesma ordem e paradigma.

Assim, a resposta que vale é a crença de sua personagem, e ela é o guia principal da relação entre personagem e magia. Seria uma ferramenta? Um estilo de vida? Um poder indesejado? Uma dádiva divina? Não se preocupe exatamente com o que isso significa para o cenário, e sim para você.

Muitas vezes seu ponto de vista será posto à prova, sua relação com suas habilidades místicas podem mudar, sua resposta pode mudar. Mas de início, será sua base, o primeiro “pilar” da personagem. Não se preocupe em elaborar, deixar complexo, isso mais atrapalha do que ajuda. De início, uma resposta simples é a melhor. A forma como sua personagem encara a magia, também interfere em sua percepção de mundo.

Aldrich acredita que a magia é vida. Pela sua ancestralidade feérica, esteve tão conectado com natureza mística do mundo, que não consegue ver de forma separada esses dois pontos. Magia é misteriosa, exuberante, e incrível. 

De onde vem seus poderes?

Antes de pensar em qual “classe mágica” participar, — lembrando que nem só de fantasia medieval vive o arcanista — determine uma origem para ela. Pode, claro, se basear na divisão clássica, o RPG padrão acaba dividindo as várias facetas do arcanista e serve de bom guia e facilita o entendimento das muitas facetas da magia. Mas isso, em geral, não importa. O senhor da lojinha da cidade não vai te reconhecer por ser um warlock, e sim por conseguir produzir determinados efeitos.

Sua origem pode vir de qualquer lugar. A fé é um exemplo dela, retirar poderes milagrosos advindos de devoção não é algo incomum dentro dos muitos cenários de RPG, clérigas e outros tipos de sacerdotisas, druidas e as outras vertentes do xamanismo. É um modelo de vida que cria o acesso às habilidades mágicas.

Além disso, qual a relação de sua personagem com a origem de seus poderes? Se for através da fé, como dito anteriormente, percebemos que existe uma ligação íntima, que inclusive significa sua firmeza quanto suas crenças. Mas se for através do estudo? Da comunhão com os espíritos elementais? Como ela chegou até essa origem, e como ela aflorou os poderes místicos?

A origem está ligada a sua motivação, ao porque você conjura. É o ponto de partida para sua personagem conhecer e adentrar no mundo místico. Novamente, não precisa ser nada muito elaborado, mas que seja firme o suficiente para te dar o gás inicial da jogatina.

Aldrich era completamente arrogante com suas habilidades, e antes de aprender magia, Nilmer Capuz Roxo precisou ensinar outras coisas a ele. Aprendendo sobre a beleza do mundo, o jovem aprendiz se encontrou na fé da deusa da magia. Assim, aliou seus estudos a sua crença, conseguindo habilidades que poucas pessoas têm acesso. Agora, Aldrich quer espalhar esse conhecimento e ajudar as pessoas à sua volta.

 

Como você conjura?

Cajados, varinhas, anéis, grimórios, espadas encantadas. Sigilos, ervas ou até mesmo nada, apenas sua vontade. O paradigma diz como você conjura, quais utensílios te ajudam no acesso ao místico, e estes podem ser os mais diversos. Não fique preso no clássico “Componente material”, mude, estilize sua conjuração para o que é adequado a sua personagem.

Você não precisa ser uma barda para conjurar com rimas, danças e música. Na verdade, a conjuração é muito mais ampla, por isso converse com seu narrador sobre as coisas que podem ser permitidas, mas procure deixar o método de conjuração o mais “Personagem” possível, isso auxilia no roleplay de suas magias.

Aldrich é um teurgista muito estudioso, por isso, tem várias fórmulas e anotações em seu grimório, mas ainda precisa de uma melhor maneira de canalizar o arcano. Por isso ele usa um objeto de foco, uma adaga de rubi, última lembrança que tem de sua família.. 

O que você conjura?

Diz muito sobre a personalidade de sua personagem, além do que, a magia é influenciada pelas emoções e personalidade de seu conjurador. Emoções conturbadas, mente atarefada, cansaço, dor, tudo isso é um ponto de aleatoriedade na hora da conjuração, influenciando diretamente seus efeitos.

Então, qual serão as especialidades de sua personagem? Mestra da defesa e expulsão, da modificação de objetos, probabilidade, consegue enxergar a alma da pessoa? Capaz de seduzir uma multidão para o seu lado?

Sugiro sempre escolher os tipos de magia que sua personagem se identifica mais. Muitas vezes, colocá-las nas caixinhas das “escolas de magia” vai ajudar a criar sua especialidade, mas não se prenda a elas. Estipule algo como uma “função” dos MMOs. Quer jogar atacante, então escolha magias que aumentem seu dano, sua defesa e traga uma sobrevida a sua personagem.  Ou o pato, que tem acesso a um arsenal mais flexível de magias.

Aldrich é um arcanista com afinidade por magias de controle. Talvez pelo sangue feérico, consegue efeitos fortes em hipnose ou para enfeitiçar, ou fazer as pessoas dormirem. Além disso, sabe manipular o terreno, para criar algumas vantagens para seu grupo, além de outros fatores. No final, em termos de MMO, Aldrich é um control mage e por isso se beneficia muito dos tipos de magia que enganam ou trazem algum outro tipo de desvantagem ao alvo. 

Quais os seus “pormenores”?

Estes são os pequenos detalhes de sua personagem. Coisas como onde aprendeu magia, seus colegas, seus desafetos arcanos, participar de alguma ordem secreta?, seus objetivos com relação a magia. De forma geral, o seu íntimo.

Nos pontos anteriores, procuramos entender quais sua relação com a magia, e quem é você a partir dela. Agora entendemos aqueles pequenos detalhes que só são reconhecidos na intimidade. Suas particularidades, as pequenas histórias que te acompanham. São simples, sem muita elaboração. Apenas um nome ou frase pequena já aprofundam sua personagem. Coisas como um local onde você aprendeu magia ou mestra, um item que está atrás, o material do seu foco, um símbolo ou tatuagem que possua algum significado a mais, seu animal ou espírito familiar.

Essas breves informações vão além do “Eu conjuro magia x”, são seus maneirismos, e que podem ser usadas tanto pela narradora, quanto pelas outras pessoas que estiverem jogando contigo. Aqui, não é necessário criar algo extremamente coeso, e sim o que pode ser mais legal e divertido de se interpretar. Sua conjuradora pode usar uma foice como foco, mas não necessariamente utilizar magias que envolvam a morte, sendo só uma estética que a sua personagem gosta.

Sinta-se totalmente livre, e acima de tudo, divirta-se criando.

As tatuagens de Aldrich são símbolos e círculos padronizados, mas nunca confirmou se são mágicas. É o filho adotivo de Nilmer Capuz Roxo, mas fez seu estágio com Morgiana Asa Cálida. Seu familiar é uma dragão chamada Soidrie, um ser tímido que passa mais tempo escondido no mundo dos espíritos. Além disso, é a pessoa inteligente mais emocionada do mundo! Capaz de fazer as piores escolhas possíveis em uma situação de grande pressão. 

 

 

 

A Jornada da Mestra – Use os jogadores a seu favor

Dificuldades para pensar num desafio? Está suando porque não faz ideia de como montar aquela dungeon? Que monstro escolher para fazer da vida dos jogadores um inferno? Um Carrasco de Lena ou o clássico dragão furioso? Seus problemas acabaram! Ou pelo menos vim torná-los menos complicados.

A dica de hoje é: saiba todas as capacidades, fraquezas e gostos dos personagens e conheça bem seus jogadores!

Oxe, mas como assim?

Ora, você não vai dar um enigma para o bárbaro resolver com toda sua genialidade e -2 em Inteligência. Não vai pedir para o mago, com seus cambitos mágicos, levantar uma rocha.

Torne os personagens úteis

Dungeons And Dragons GIFs | Tenor

Quando preparar qualquer situação, sempre consulte a ficha dos personagens. Além de facilitar sua vida, porque, sabendo as características de cada um, você ganha um norte para direcionar a situação, isso dará aos jogadores a sensação de que o que eles possuem de características, talentos, poderes e etc. é eficiente.

O mago pegou a magia de queda suave? Jogue todo mundo num abismo. O bárbaro está com +7 em Força? Faça-o socar uma rocha a qual impede uma passagem. O clérigo está se mordendo para usar expulsar mortos-vivos? Faça o grupo atravessar um cemitério amaldiçoado.

Essa sensação de utilidade pela característica escolhida também afeta o jogador como um todo. Sentindo-se útil, ele continua engajado no jogo. É muito frustrante você escolher algo, ou montar uma determinada build, mas não utilizá-la em momento algum na aventura – um pequeno adendo: a frustração não é inimiga e pode ser usada para engajar os jogadores, mas isso é papo para outro momento.

Como mestre, crie situações nas quais os personagens possam explorar as capacidades e fraquezas uns dos outros, pois o RPG é jogado em time. É sempre divertido ver um personagem suprir a fraqueza de outro porque isso também ajuda no entrosamento do grupo e também desenvolve os papéis de cada um dentro do grupo.

Não que alguém não possa fazer algo, contudo, é mais fácil o ladino entrar furtivo no castelo que o paladino com a armadura da geladeira tsunami – embora isso seja difícil, essa também é a beleza do RPG já que pode acontecer.

Explore a individualidade dos jogadores

Bikini Armor Battle Damage — “A group of college boys find their world taking a...

As pessoas possuem gostos diferentes e isso é visível nos próprios personagens. Existem jogadores que preferem explorar os horizontes e criam personagens muito distintos para cada mesa, por outro lado, existem aqueles os quais preferem a zona de conforto. De uma maneira ou outra, tenha em mente que você como mestre lidará com diferentes tipos de jogadores

Nossa, mas eu nunca ouvi falar disso!

No livro básico de Tormenta20 na página 250 do capítulo O Mestre” há uma nota sobre isso e eu recomendo muito a leitura. Sim, dizer “tipos de jogadores” soa redutivo, mas usarei o termo para distinguir as diferentes preferências de cada jogador.

Em suma, existem os jogadores fofoqueiros (os quais darão mais atenção à história), aqueles que preferem a otimização das regras (os combeiros safados), os mais teatrais (fanfiqueiros e bardos trambiqueiros dando a vida para romancear do dragão) e os que estão ali pela resenha.

Aliás, importante ressaltar que um não exclui o outro. Podemos gostar de muitas coisas ao mesmo tempo, mudar de preferência quando quisermos ou testarmos diferentes composições de personagens quando der na telha. E está tudo bem preferir um ao invés de outro, o importante é não achar que suas preferências vão ditar o ritmo da mesa porque o coleguinha ao lado existe e ele também merece amor.

Meu conselho como mestre é prestar atenção nessas preferências a fim de entender o que o cada jogador construiu com o objetivo de tornar o jogo mais divertido para todos.

Faça cenas de investigação e exploração para o jogador fofoqueiro (eu), crie combates desafiadores para o combeiro (sem deixar que ele tome a mesa para si), promova cenas dramáticas para o aspirante a ator e incentive momentos de descontração sem transformar a mesa na casa da mãe Joana.

Seja maligno, use tudo a seu favor

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Não apenas a seu favor, mas também contra eles mesmos.

[risada diabólica, mas sempre com amor]

Um dos jogadores adora dragões? Vai dentro. Outro quer bater na Tormenta? Chuva de lefeu na cabeça dele então. Se você não souber o que fazer os próprios jogadores (sem querer) podem, e irão, te dar ideias.

Por último, mas não menos importante: pense nas suas próprias preferências. Gosta de ver os jogadores se degladiando num enigma? Lasque enigma. Gosta de uns golens bolados? Bata nos aventureiros com eles. O céu é o limite e o mestre também merece se divertir, mantenha isso em mente. Salpicar o mundo com seus gostos pessoais não apenas torna o jogo mais legal para você, mas também o deixa mais único.

Lembre-se também: o importante é se divertir, se todos estão felizes, tudo está nos conformes.

E com Azgher fritando nossos miolos, não se esqueça de beber água e comer frutas!

Até a próxima!

Os Terrores de Arton

Vários personagens posados em um clima de mistério e terror. Ao fundo, uma lua cheia deixando a silhueta de castelos. Ao centro um vampiro com roupa de aristocrata e segurando uma taça de vinho na mão. Ao redor dele, diversos personagens com expressões sérias e escusas, incluindo um minotauro sentado em uma mesa, e uma medusa guardando a porta de uma taverna.

Arton é um mundo de problemas! E muitos deles podem ser aterrorizantes ao ponto de deixar Hellraiser no chinelo. Pelo continente ser grande, não são poucas as histórias a serem contadas, mas podemos incrementar um pouco mais os estereótipos desse gênero tão conhecido. Aqui vão algumas dicas sobre como narrar alguns dos problemas mais conhecidos de Tormenta, sob uma perspectiva diferente.

A Tempestade

A própria tormenta possui uma forte inspiração no terror, principalmente no que dizemos daquele “medo do indescritível” — sendo essa uma das bases para o conjunto de contos dos Mitos de Cthulhu. Porém, não podemos resumir os Lefeu a apenas isso.

O terror dos Lefeus vem através dos detalhes, das coisas que aos poucos vão mudando a imagem que sua personagem tem do mundo e de si mesma. A tormenta é sedutora, e se estende através dos temores escondidos no mais fundo da mente. Na literatura de Tormenta, há exemplos de personagens que se tornaram devotos a Aharadak, ou que de alguma forma se infectaram com a tormenta, justamente pelo medo de perder algo ou de se tornar seu pior temor.

Em Arton, a tempestade é uma ameaça iminente e constante. Sempre a vista no horizonte, e se move sem aviso prévio, pelo subterrâneo ou na superfície logo de cara, assimilando tudo o que vê e cede a tentação de se tornar algo… diferente, longe das dores cotidianas.

Por isso, ao narrar em uma Área de Tormenta, lembre-se de descrever sensações, não somente as aparências e os bichos grandes com tentáculos indescritíveis. Sabemos que criar tensão em RPG é algo complicado, e se essa for sua proposta, imersão é o objetivo. Uma aventura sem a presença de lefeus, mas com o início de uma célula da igreja de Aharadak pode ser bem mais amedrontadora que ter um Burodrom varrendo tudo pela frente.

O Reino dos Mortos

Mesmo que exista em Aslothia o tropo clássico de zumbis e esqueletos atacando em florestas escuras, é válido lembrar uma coisa: Ferren Asloth é um Lich, e apenas os seus mais chegados podem usar magia, o povo não. Ainda existem antigos caçadores de magos, agora como mercenários, trabalhando para a coroa, então é bom passar despercebido.

Temos histórias sobre a Caça às Bruxas que já foram parar no cinema — e nos jogos, uma das motivações de Drácula, em Castlevania, é justamente sua esposa ter sido queimada na fogueira. Aqui, não precisamos chegar a tanto, mas já que “toda magia pertence a coroa”, coisas piores podem acontecer.

Longe de querermos repetir em mesa, uma era tão sombria de nossa história. Até mesmo, pois a palavra “inquisição”, em Arton, está ligada a um grupo de guerreiros que lutam para proteger a magia, para que ela seja usada para o bem. Contudo, o conflito e a caçada aos usuários de magia arcana é uma política de Ferren, para controlar o poder em suas fronteiras.

O medo de ser descoberto, e a tensão de estar perto de caçadores, infiltrados ou disfarçados, gera uma tensão semelhante à de Bastardos Inglórios. Como jogadora, você vai querer evitar com todas as forças levantar suspeitas, e até mesmo imitar alguns trejeitos dos locais para escapar — talvez se fingir de morto ajude!

No parapeito de um castelo, o lich Ferren Asloth cestá bem vestido, om roupas ornamentas. Ele está erguendo uma mão, imponente, estando em ambos os lados urubus morto-vivos. Ao fundo, o pórtico do castelo mostra uma aura arroxeada.

Fadas…?

Okey, esse é um ponto singular… mas vocês já leram contos e histórias regionais sobre povos pequenos e fadas? É, Pondsmânia pode não ser um parque da Disney, mas sim uma grande creepypasta sobre a Tinker Bell ou algo parecido. A coisa mais leve que acontece ao se negociar com fadas é um parente desaparecer, e nunca mais ser encontrado.

Suas regras são diferentes, o que pode causar confusão nas cabeças dos desavisados. Podendo ser extremamente literais, ou tão subjetivas que só Wynna entenderia. Seus pedidos variam, mas uma coisa é certa: nunca quebre seus contratos. Uma fada com raiva pode transformar seu cabelo em fita led rgb, ou caçar sua família e te seguir até os confins de arton.

Não apenas em Pondsmânia, existem Povos Pequenos em muitos locais de Arton. Duendes, espíritos elementais, leprechauns e suas variações são encontradas em Wynlla e com certeza na Academia Arcana também — nada mais assustador que precisar se preocupar com o fim do semestre!

É um elemento de aleatoriedade, de fato. Porém, elas não precisam ser o grande vilão da história, mas sim seu modus operandi. E o final de uma aventura pode justamente ser se esconder delas, ou até mesmo descobrir uma forma de apaziguar ou se livrar desse contrato — que você com certeza não assinou.

A Fera de Balteraz: aventura e domínio em Ghanor RPG

Olá!

Na Guilda do RPG de hoje, eu falei sobre os domínios de A Lenda de Ghanor RPG. Primeiramente, abordei o funcionamento básico dessa mecânica, que permite a um jogador utilizar ações de governar no tempo entre aventuras (veja Interlúdio, A Lenda de Ghanor RPG, página 231). Além disso, comentei como gosto dessa parte de domínios por permitir linkar aventuras e sagas que acontecem em um primeiro momento, com algum jogador se tornando Regente dessa região, posteriormente.

Se quiser assistir ao programa, é só clicar aqui. Vários comentários no chat, inclusive, trouxeram ideias interessantes.

Além disso, no programa dei o exemplo de uma ideia de aventura em Ghanor. Quando a escrevi, planejei justamente em uma aventura cujas conclusões pudessem deixar um domínio vago e, quem sabe, algum jogador poderia se tornar um Regente.

Abaixo a proposta de aventura e detalhes sobre possíveis acontecimentos possíveis. Sempre cabe lembrar: os rumos da aventura e dos acontecimentos depende também da ação dos personagens e decisão dos jogadores. É possível que tome rumos completamente diferente, e não há problema nisso. (mais…)

A Jornada da Mestra – Fábrica de NPCs

Já realizamos muitas reflexões nesta jornada, mas eu nunca escrevi sobre uma das minhas maiores paixões: a criação de NPCs. Confesso ter um certo vício em criar personagens e eu ponho a culpa disso no The Sims – não vou elaborar. De qualquer forma, hoje o papo não é sobre live de NPC na rede das dancinhas: é sobre o vilão, o taverneiro e aquela gosma adotada pelo grupo com a qual você tem que lidar.

Seu NPC não é o Naruto

Naruto running by ScionofBalance666 on DeviantArt

Primeiro vamos ao mais básico: NPC significa non-playable character ou “personagem não jogável”. Nos RPGs de mesa eles são todos aqueles personagens controlados pelo mestre: vendedores de repolho, antagonistas, ajudantes, vilões e etc. Eles não podem ser os protagonistas, nem devem tomar os holofotes dos personagens dos jogadores. 

É anticlimático você lutar contra um dragão e surgir o Zé das Couves para tomar toda a glória. Igualmente sem graça é ele descobrir o enigma da tumba de Xablablau e tomar para si um artefato antigo quando o grupo inteiro ficou sessões e mais sessões tentando o mesmo.

Essas atitudes tiram toda a autonomia dos jogadores e seu senso de interatividade com o mundo. Se eu estou dando tudo de mim, mas sempre há alguém fazendo melhor ou tomando as rédeas, por que eu estou jogando?

É claro que você não deve minar por completo os NPCs, a complexidade da trama melhora se eles também forem complexos. Contudo, fazer com que os NPCs passem por cima dos jogadores o tempo inteiro, como barrar suas ações ou modificar o mundo sem que haja um bom motivo, não é o melhor dos caminhos. Coloque os NPCs para auxiliar ou atrapalhar os jogadores com uma causa plausível para tal. Não faça com que eles tomem as ações, ou as glórias, que deveriam ser dos jogadores.

Se há um NPC com o mesmo objetivo que o grupo, faça ele antagonizá-lo ou auxiliá-lo mais indiretamente.

Os jogadores devem lidar com qualquer balbúrdia que surgir. Uma mão amiga é sempre válida, mas confie nos coleguinhas, permita-os efetivamente jogarem e interagirem de maneira legítima com o jogo. Isto é, conquistando e perdendo coisas com pretextos aceitáveis.

Tão profundo quanto um pires

Npc Activity Npcs GIF - NPC Activity Npcs Npc - Discover & Share GIFs

Não é necessário criar centenas de personagens e nem todos precisam ter tantas camadas quanto uma cebola porque você não conseguirá mostrar todo o brilho de sua criação (autocrítica). É muito possível que você não tenha “tempo de tela” para aprofundar todos os NPCs e isso nem é recomendável – alguns nasceram para serem apenas figurantes e tá tudo bem.

Eu costumo dar mais destaque aos personagens os quais eu tenha certeza da maior periodicidade na aventura e aos grandes antagonistas. Faço fichas completas, crio uma história mais aprofundada e uma personalidade mais complexa. Para o resto eu escrevo apenas um conceito atrelado a uma história, como:

Um homem magro cheirando a peixe e orgulhoso de “sua” vila. Tenta falar de maneira pomposa embora não saiba o significado de algumas palavras. É muito respeitado por ter trazido o “progresso” à cidade. Frase de efeito: o progresso cheira a peixe.

Ou apenas um conceito, uma história básica e alguns traços de personalidade, geralmente duas qualidades e um defeito ou dois defeitos e uma qualidade. Um parágrafo não muito longo basta.

Mona Spring: seu pai a abandonou com a mãe porque os dois não possuem um bom relacionamento. Sua mãe trabalha na política com a proteção das florestas, mas Mona nunca levou jeito para tal. Ela prefere caçar monstros, infelizmente algo que aprendeu com o pai. Preza muito por sua liberdade. Preguiçosa, determinada e cabeça quente – daddy issues.

Claro que os NPCs menos trabalhados podem se tornar algo maior na trama, mas é menos trabalhoso manter-se com o básico para a maioria (autocrítica). Um taverneiro não precisa ter uma história de protagonista de shonen se o grupo passará por ele duas ou três vezes – a não ser que ele seja um vilão disfarçado. Por outro lado, não colocar personalidade nos NPCs deixa a interação com eles empobrecida, o que pode afetar a trama.

Abrace a fanfic com os NPCs

Fanfiction GIFs | Tenor

Isso é uma dica tanto para os mestres quanto para os jogadores: lembre-se que os NPCs não são enfeites. Eles estão ali para ajudar, ou atrapalhar, e também terão objetivos, embora em sua maioria menos espalhafatosos que as vontades dos personagens dos jogadores. Alguns querem apenas paz e uma cerveja gelada no fim do dia.

Alguns jogadores podem gostar mais de interagir com os NPCs do que outros, mas isso não significa que os pobres coitados precisem ser tão profundos quanto um pires. Dê um pouco de vida a eles, espalhe seu pó de pirlimpimpim.

Interaja com os benditos, jogador, os coitados também possuem medos e anseios. Viva um romance, crie um rival, seja traumatizado pelo seu mestre porque seu NPC favorito foi morto.

Você, mestre, também não precisa criar zilhões de NPCs (autocrítica), apenas as figuras mais notáveis do local já serão o suficiente. E mantenha consigo alguns nomes aleatórios porque aquele jogador vai perguntar o nome do vagabundo da esquina. Inclusive, caso queria poupar parte do trabalho, o Guia de NPC’s para o T20 pode quebrar um grande galho.

Bebam água, comam frutas e até a próxima!

Em nome da Rosa — Contos Românticos: Pequena Rosa Pálida

Papel com textura de pergaminho, com moldura antiga de espelho dourado e duas rosas esmaecidas no fundo

Pequena Rosa Pálida é uma Aventura dividida em duas partes, uma clássica história de amor e tragédia que se passa principalmente em Aldis. Contudo, o decorrer da história nos próximos capítulos, os levará para outros pontos do mundo de Aldea.

A ideia é que seja de dificuldade Moderada, sendo uma introdução a Blue Rose como um todo. Porém, não se acanhe em adaptar, mudar ou até mesmo reescrever caso ache necessário para suas sessões, cada mesa de jogo funciona de forma diferente.

Essa aventura inicia no nível 4 e recomenda que os personagem subam para o nível 5 ao final dela. Os personagens são livres para não se envolverem mais com o problema no final da história, mas ainda existem muitos mistérios a se resolver

Resumo da Aventura

Um convite chega ao grupo. A princípio, apenas um baile de bodas comemorando mais um ano do casamento de Lorde Alden com seu marido Callum. Eles chamaram todos os nobres, nomes de importância e heróis da região.

Essa aventura explora o lado não tão romântico da Rosa Azul, voltado para sua tragédia e algumas marcas deixadas pela guerra contra os Reis Feiticeiros. Ela aborda o uso criativo das perícias, principalmente na investigação e intuição, na intriga e na letalidade que um combate pode ter.

Ato 1 – Amar como Você

No início da noite, cartas são entregues ao grupo. Quem as leva é um mensageiro de roupas sociais e um falar extremamente polido e requintado. Em suma, ele explica o teor das cartas e sai para continuar suas entregas.

O convite é bonito, e possui anel no envelope, apenas pessoas com esse anel poderão entrar no baile. Este anel mágico os identifica para a guarda, permitindo a passagem.

Alguns motivos possíveis para o grupo ir até a festa:

  • Conhecerem Lorde Alden e sua família, indo prestigiá-lo;
  • Sabendo que muitos nobres foram convidados, conseguir patrocínio;
  • Aumentar sua rede de contatos;
  • Ir apenas pela diversão, afinal, festas promovidas por nobres sempre rendem boas histórias de bar.

Comece a Festa!

Ao chegarem no salão da casa, uma Noturno (e filha mais velha da família) os receberá. Rosalind é solícita, mas não de muita conversa e parece estar incomodada com a festança. Portanto, se perguntada, dirá apenas que não se sente bem, e mudará de assunto. Ela sempre estará acompanhada de alguns pretendentes (lembrando que Blue Rose não faz acepção de Gênero e Sexualidade).

Além dela, Alden e Callum — um Vata’an e um humano, respectivamente — estarão sempre em uma posição de destaque, recebendo seus convidados com largos sorrisos e recepção calorosa. Mesmo após vinte e cinco anos, ainda são um casal muito apaixonado, e isso fica claro, podendo ser muito romântico, ou bem brega. Além disso, Alden está um pouco embriagado.

De toda forma, um clima estranho é notável. Toda vez que o casal passa, alguns sussurros e cochichos surgem, como se todo mundo soubesse de algo e eles não. Um teste de Percepção (9) entrega que algumas das pessoas estão ansiosas e ariscas. Um resultado 11 percebe que uma delas possui um anel adulterado.

Se o grupo notar o anel, encontrarão Leonard, que está conversando com Rosalind, e ela não parece muito feliz de encontrá-lo, ao mesmo tempo que não parece querer expulsá-lo da festa.

Ato 2 – Faça isso por ela!

Antes da dança, o grupo está livre para explorar e interagir com várias das figuras presentes no salão. A maioria delas sendo nomes de expressão dessa região, contando histórias de seus feitos, ou apenas fofocando a vida alheia.

Caso o grupo esteja à procura de algum tipo de patrocínio, se decepcionam pois os poucos nobres que foram ao baile não estão muito dispostos a auxiliar. Porém, um Rhydano parece interessado em jovens que estão procurando seu espaço no mundo, seu nome é Astolfo

Esse gato de consciência desperta convida o grupo para que conversem mais no dia seguinte, mas antes que ele termine de falar, as luzes se apagam. Subitamente alguns barulhos de coisas quebrando podem ser ouvidos e quando a comoção diminui, Alden é encontrado morto, com sua taça de vinho largada ao chão.

Callum corre até seu marido, ele está incrédulo e em estado de choque. Logo todo o salão é trancado, e só sairão quando o culpado for encontrado. As tensões vão ao limite, dedos são apontados e pessoas simplesmente sumiram das vistas.

Aqueles que se escondem

Para encontrar o culpado, o grupo precisa passar em um Teste de Tarefas, com dificuldade 9, mas precisando acumular 10 sucessos. Não esqueça de usar os Pontos de Façanha! Vão ser necessários!

Qualquer foco será aplicável, caso faça sentido com a ação (como explicado na pág.16 do livro básico). Essas são as principais pistas:

  • As duas pessoas com os anéis falsos desapareceram;
  • O vinho servido para Alden e Callum possui indícios de veneno mágico, Callum ainda não havia bebido naquela noite;
  • O corpo de Alden possui marcas de espada em suas costas;
  • Leonard está arisco e diz que faria tudo pelo bem de Rosalind;
  • O Rhydano Gato Astolfo informa sobre movimentos estranhos no corredor que leva aos quartos da casa.

Ao terminarem a investigação se deparam com a seguinte cena: Rosalind ferida em seu quarto, sendo acompanhada por 2 pessoas, essas com os anéis falsos. Essas pessoas estão atentas a qualquer mínima movimentação, e irão atacar o grupo assim que puderem.

A situação pode ser resolvida em um combate, ou numa infiltração, ou em qualquer outra ideia louca que o grupo possa ter. Lembrando, que a aventura usa a dificuldade média 9, sendo um trabalho fácil, mas nem tanto.

As fichas de Adversário estão presentes na página 333 e 334, sendo as de Guerreiro e Adepto.

Ato 3 — É isso, acabou…

Com Rosalind acudida, e os intrusos detidos, ainda sim o mistério continua. Não se sabe exatamente os motivos nem o mandante da morte de Alden. Assim, o grupo pode intuir, sem necessidade de testes, o envolvimento de Leonard. Sua relação com ela não parece saudável, e até mesmo a presença dele no baile é estranha.

Mesmo com toda a comoção, é difícil retirar alguma informação de Rosalind. Ela está sim abalada e aflita, mas continua escondendo algo. Se confrontada, em algum momento ela irá ceder(um teste de dificuldade 7), e explicará uma outra parte da história.

Leonard foi um relacionamento antigo que não deu certo. Na cabeça dele, os culpados eram Alden e Callum, que não aprovavam o namoro. Contudo, quando ela descobriu sobre o plano de assassinato, tentou criar uma armadilha. Quando as luzes se apagaram, Rosalind foi confrontá-lo, as coisas não saíram como esperado, mas ao menos conseguiu impedir a morte de um de seus pais.

Confrontar Leonard exige preparo. Ele ainda é um nome de importância e um infiltrador proeminente, a termos de mecânica, possui a ficha de Ladino (pág. 334).Pode-se desejar um combate direto para levá-lo à justiça, ou um Teste de Perigo, presente na pág. 316. Sendo uma Perseguição de Categoria Pequeno. Sua fuga implica em seu desaparecimento, já em caso de captura, duas coisas podem acontecer.

Sangue com Sangue

Callum está visivelmente abatido, mas seu sangue transborda de raiva. No passado, ele foi um pirata, e deseja cobrar sangue com sangue:

  • O grupo pode impedi-lo, não sendo uma tarefa fácil.
  • Deixar que ele termine sua vingança, o que causaria desconforto aos envolvidos.

De toda forma, o caso será resolvido, o nome do grupo será reconhecido, principalmente por sua ação rápida e eficaz na investigação. Uma recompensa será dada por Rosalind sendo ela Honraria, Afiliação ou Equipamento, presentes no capítulo 11 do livro básico.

 Considerações finais

Ainda existem algumas lacunas a serem preenchidas, mas estas foram deixadas de propósito, dando margem para criação em cima da estrutura principal. Além disso, essa aventura funciona tanto como uma One-Shot ou como uma Série Breve, guardada as devidas adaptações.

O guia de como se criar uma ficha para Blue Rose está presente no artigo Criando sua Personagem Heroica, que ensina a montar sua personagem do zero, e as informações sobre subir de nível estão presentes na pág. 45 do livro base.

A história não termina aqui, Pequena rosa pálida possui consequências que virão numa parte 2 expandindo e explorando o mundo de Aldea.

 

A Jornada da Mestra – Explorando caminhos: narração freestyle

Há muitas maneiras de se narrar uma história e o RPG nos proporciona um modo singular de construir uma narrativa em conjunto com os amigos. Hoje retornamos ao tópico da narração, já que eu estou fazendo uma leve migração – e mistura – de estilos e gostaria de compartilhar mais uma vez meus dois tibares de cobre sobre o assunto.

O que Khalmyr constrói…

Building Lego GIF - Building Lego Movie - Discover & Share GIFs

No início da minha jornada, eu concluí que o melhor caminho para mim era começar com algo mais estruturado, mas, é claro, que não interferisse no livre arbítrio dos jogadores.

Como eu também sou filha de Valkaria, tomei a liberdade de me inspirar no início da campanha Fim dos Tempos com missões simples a serem cumpridas cuja ordem de conclusão não interferiria no desenrolar da narrativa. Foi um bom ponto de partida visto que essa liberdade, além dos encontros aleatórios, fizeram com que o grupo construísse uma narrativa única, embora a história permanecesse a mesma.

Vamos chamar essa forma de narração de estilo do arquiteto.

As aventuras estavam bem organizadas e no planejamento das sessões eu apenas mudava circunstâncias pequenas conforme os jogadores faziam suas escolhas. Como o fatídico arco de redenção de uma NPC inimiga porque os aventureiros simplesmente decidiram que sim.

…Nimb destrói

Cacatua branca destruindo um castelo de tampas

Entretanto, conforme as sessões avançaram e os aventureiros se aprofundaram mais na narrativa, eu percebi que a história havia ganhado alguns penduricalhos. Pelos Deuses, como assim? Embora o objetivo da campanha seja o mesmo desde a primeira sessão, a história ganhou ramificações feitas pelos próprios jogadores.

Eu não tinha nada tão bem estruturado para depois do primeiro arco e agradeço a Nimb por isso porque o grupo já me dá todas as ferramentas para construir os próximos eventos. Digamos que eu estou pavimentando o caminho, mas são eles quem me dão os tijolos. Eles plantam a semente do caos e eu os ajudo a colher mais tarde.

Podemos chamar essa forma de narração de estilo do jardineiro.

A premissa de descer a marreta em purista continua a mesma e os vilões – vamos chamar do jeito certo, ok? – continuam com os mesmos objetivos. Entretanto, além dos recursos disponibilizados por mim para detê-los, o grupo criou outros. A narrativa foi se desenvolvendo a partir das decisões tomadas pelos jogadores através das informações descobertas por eles.

Unindo as formas de narração

Bob Esponja narrando um RPG para o senhor Sirigueijo e o Patrick

Vejo a possibilidade dos dois estilos se complementarem, cada um com seus prós e contras. Enquanto um pode se tornar muito restrito, o outro pode fazer com que a história tenha um fim anticlimático caso os jogadores façam muitas escolhas mirabolantes. O importante é saber a dosagem de cada um.

Tenha o tabuleiro bem firme nas mãos, um mundo bem estruturado, mas deixe que os jogadores movam as peças. É claro, tendo em mente que Nimb pode chutar tudo a qualquer momento.

Essas duas formas de narrar também são conhecidas pelos termos railroad e sandbox. Enquanto numa a narração segue uma estrutura mais linear a outra abre espaço para mais ramificações – caso surja o interesse por mais detalhes, fica sugiro uma pesquisa.

Minha dica para o segundo estilo é criar menos histórias prontas e mais situações para os jogadores lidarem. Existe um problema x no lugar y e o grupo que se vire para encontrar uma solução. Espalhe diferentes pistas em lugares distintos com NPCs variados e estimule a curiosidade dos jogadores.

Pessoalmente, estou adorando narrar como uma fazendeira porque como mestra eu gosto muito de ver os jogadores moldando o mundo. Um dos meus maiores objetivos é fazer com que eles sempre se sintam livres para tentar algo, mas cientes de que tudo tem consequências. Nada mais prazeroso do que um jogador ter uma boa ideia e conseguir colocá-la em prática. Além disso, sinto bastante que eu e a turminha do barulho construímos a história juntos.

Como já disse, não acredito que um estilo anule o outro porque ambos possuem elementos úteis para garantir uma boa narrativa. O mundo não vive em função dos jogadores, muito menos o contrário, ambos se complementam. Acredito que os estilos narrativos sejam mais uma questão de gosto entre você e seus jogadores. Lembre-se que RPG é diversão e consenso!

Beba água, coma frutas, bata num purista e até a próxima!

Funções em 3DeT Victory

vários personagens de anime agrupados, estando na frente Luffy do One Piece, Ichigo do Bleach e Naruto.

3DeT Victory acabou de sair do forno, quentinho e fresquinho! Estamos na versão Playtest, o momento ideal para refletir sobre certas mecânicas do jogo e como elas interagem entre si. Hoje falaremos sobre os tipos de função/papel de cada personagem.

Categorizando… os Papéis

Se antes do 3DeT Victory você também jogou 3D&T Alpha, deve se lembrar que o Manual Básico descrevia os “Papéis de Combate” (Manual 3D&T Alpha, pág. 19). A ideia de tal categorização era orientar os jogadores a não fazerem personagens que são bons em tudo (o que é bem possível em 3DeT), especializando-se numa função principal. Assim, num grupo, cada um é bom em algo, cobrindo as fraquezas uns dos outros. No Manual Básico, os Papéis eram:

  • O Atacante. Responsável por derrubar os inimigos o mais rápido possível. Não é necessariamente resistente (este é o Tanque), sendo mais eficiente em lançar ataques devastadores.
  • O Baluarte. A palavra tem o contexto de um lugar aonde se vai para estar seguro, e esta é sua função — apoiar o resto do grupo, seja com cura e proteção, ou outros tipos de buff. Se afeta o grupo, é um baluarte. Por vezes o Baluarte acaba sendo a figura de Líder, por entender a todos.
  • O Dominante. E se os poderes afetam os inimigos, é um Dominante. No Manual Básico, a maneira mais fácil de cumprir este papel é através de Magia ou Perícias, mas algumas outras vantagens também serviam bem.
  • O Tanque. Se a função do Atacante é bater, a do Tanque é apanh– resistir o máximo possível aos ataques inimigos, de preferência atraindo-os para si enquanto os outros cumprem suas funções. 

Além da descrição de cada Papel, o Manual também indicava a Característica mais relevante, assim como Vantagens e Desvantagens pertinentes. Então o Atacante tem Força ou Poder de Fogo alto, Ataque Especial… Enquanto o Tanque tem muita Resistência e Pontos de Vida, e por aí vai.

É claro que, num grupo menor, um personagem pode cumprir mais de uma função. Um Atacante Tanque, por exemplo, é uma escolha lógica. Um Baluarte Dominante também. No entanto, o ideal é que cada um faça sua função. Se o tamanho do grupo permitir, pode haver até mais de um personagem com a mesma função (geralmente Atacantes).

Categorizando… os Conceitos

A vinda do Manual do Defensor, anos depois, agregou muitas ideias ao Manual Básico, revolucionando o 3D&T Alpha. O jogo tornou-se mais tático, cheio de possibilidades. O combo Manual Básico + Defensor era o suficiente para campanhas inteiras (muito embora haja muitos outros suplementos). Uma das ideias exploradas são os Conceitos (Manual do Defensor, pág. 6), ampliando a discussão sobre Papéis.

Enquanto os Papéis de Combate são, como o nome diz, voltados à luta, os Conceitos são mais amplos. Eles são seis: o Ágil, o Carismático, o Durão, o Forte, o Inteligente e o Místico.

Naturalmente alguns destes Conceitos apontam diretamente para Papéis específicos. O Ágil será sempre um bom Atacante, ou Dominante (pela alta Habilidade e capacidade de múltiplas ações ao mesmo tempo), e este conceito sempre encaixará com um Inteligente ou Místico. O Durão é claramente um Tanque; o Carismático, um Baluarte, ou talvez também um Dominante. A exemplo do Manual Básico, o Manual do Defensor também explica que Características e poderes cada Conceito deveria utilizar para especializar-se.

E 3DeT Victory?

Até o momento, não há um texto com função semelhante aos Papéis ou Conceitos no novo Victory. Mas, com as regras que já foram liberadas no Playtest é totalmente possível atualizar as discussões do Alpha, principalmente com as Vantagens de especialização para cada função específica.

A primeira coisa a apontar nesta discussão é que as Características do Alpha foram resumidas a três Atributos no Victory: Poder, Habilidade e Resistência. Cada um deles possui um contexto físico e mental/social. Desta forma, Poder é força e presença; Habilidade é agilidade e inteligência; Resistência é vigor e resiliência. Tal pluralidade de funções antigamente pertencia apenas à Habilidade. Agora, tornou-se o padrão dos três atributos.

Para especificar um traço de um Atributo, no entanto, existem as Vantagens de especialização. Lembram dos Conceitos do Manual do Defensor? Alguns deles agora dão nome a tais Vantagens. São elas ÁgilCarismáticoForteGênioResolutoVigoroso. Há ainda Desvantagens que fazem o oposto. O propósito deste conjunto de Vantagens e Desvantagens é dar mais personalidade aos atributos. Então talvez você tenha muita presença (através de beleza, por exemplo), mas não seja tão forte. Assim, pega Poder 4, Carismático (+2 em testes mentais/sociais) e Fracote (Perda em testes físicos).

No Victory, cada função combina com as seguintes Vantagens de especialização:

  • Atacante: combina com ÁgilCarismáticoForte. Basicamente, Poder e Habilidade.

Como costumeiro em toda edição de 3DeT, Habilidade é um atributo coringa. A diferença no Victory é que custa um pouco mais utilizá-la desta forma. Assim, Ágil pode ser posto em ataque através do Ataque Especial (Preciso) — sendo isso inclusive parte do combo da personagem Ágata, mostrada na versão Playtest

Forte é autoexplicativo.

Carismático é uma novidade do sistema. Como Poder é sua força em todas as possíveis interpretações, você pode causar dano (mental/social) simplesmente com as palavras! E também em testes quaisquer com esse contexto.

  • Baluarte/Dominante: beneficiam-se de Carismático e Gênio. Novamente Poder e Habilidade, mas um pouco diferente do Atacante.

A maior mudança aqui é que não somente alta Habilidade pode ser usada para tais funções, mas também Poder. É possível haver dois personagens com alto Poder no grupo, um focado em dano físico, e o outro focado em inspirar a presença do grupo, ou fadigar o estado mental dos inimigos.

  • Tanque: combina com Ágil, Resoluto e Vigoroso. Habilidade e Resistência são seus atributos.

Habilidade como atributo coringa continua aplicável aos Tanques. Ágil pode ser transferida para defesas através de Defesa Especial (Esquiva). Lembremos que ambas as vantagens Ataque e Defesa Especiais custam PM para serem usadas, o que pode não ser um problema se você tiver mais pontos em H para este fim.

(Um detalhe especial é que um Tanque misto com Atacante beneficia-se se tiver Defesa Especial (Bloqueio), defendendo-se com Poder. Isso ainda gasta PM, que é um recurso de Habilidade, mas é uma possibilidade.)

Resoluto ajudará todo e qualquer teste mental, bem como ataques do tipo. Vigoroso fará o mesmo com defesas físicas mais clássicas.

Próximos passos…

O que ainda resta ser discutido neste aspecto das funções e suas Vantagens de especialização é como as subdivisões físico/mental conversarão entre si. Quando um Atacante resolve que xingará o inimigo usando Poder no sentido Carismático, obriga-o a defender-se da mesma forma? Pode ele interpretar que defende fisicamente?

E o contrário? Lembremos daquele menino que resistiu às picadas de 400 abelhas por mentalizar que era o Vegeta. Ele resistiu a um ataque físico — Ataque Especial Penetrante Perigoso e Potente — com sua própria força de vontade (R + Resoluto).

Num próximo artigo poderemos discutir sobre essa intercambiabilidade, além de incluir efeitos de Vantagens que, embora tipicamente combativas (como um Ataque Especial), agora podem tornar-se qualquer coisa se forem para o reino do mental/social.

Enquanto isso… Rolem os dados! 

Fabrícius “Rangerfantasma”, ainda tentando entender o 3 5 1 dos dados do manual

 

 

 

 

Cavaleiros do Zodíaco para 3DeT Victory!

Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya) é um mangá escrito e ilustrado por Masami Kuramada. Lançado em 1985, tornou-se um fenômeno mundial com a adaptação para anime. A chegada do anime no Brasil, setembro de 1994, abriu as portas para as produção japonesas no país.

Cavaleiros do Zodíaco conta a história de Seiya e outros jovens, os chamados Cavaleiros, na missão de proteger a nova reencarnação da deusa Athena. Utilizando as lendárias armaduras de suas respectivas constelações, os Cavaleiros são capazes de canalizar o Cosmo, e desferir poderes imensos.

 

Abaixo uma adaptação dos 5 protagonistas para #3DeT Victory. Como extra, também a ficha de Saga de Gêmeos!

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