Teatro Arcano – Jogando com a Magia

Teatro Arcano – Jogando com a Magia

mulher de capuz com as mãos unidas em frente ao corpo, tendo brilho esverdeado saindo de suas mãos.

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A primeira vez que eu joguei RPG foi em 2017, como complete de um grupo já formado. Jogamos o cenário de Arton, e estavam precisando de um conjurador no grupo, logo, criei Aldrich Salujah, meu Mago Qareen. A escolha de ser um mago, meio gênio, e ainda por cima devotado à deusa da magia, não foi um simples acaso, nem só uma utilização dos termos que já existiam no jogo. Percebi mais tarde que, aquelas escolhas, inconscientemente possuíam um propósito.

Esse texto é um complemento ao já antigo Abordando Recursos Mágicos. Naquela edição do Teatro Arcano, eu falava sobre como uma pessoa narradora poderia usar a magia em sua narrativa, agora, algum tempo depois, volto a falar justamente sobre esse recurso que eu tanto amo, mas pensando nos jogadores.

O que é a magia?

“É a energia que está depois da trama, que permite manipular a realidade”, “É por a sua vontade sob a matéria”, “É minha expressão artistica”, “A magia é vida, e por isso não pode ser negada”. Qualquer resposta é válida. Magia é um termo abrangente e de múltipla interpretação, indo de poder sobrenatural até sinônimo para conhecimento ou sabedoria. Pergunte para qualquer pessoa que é adepto de alguma vertente ocultista, as respostas serão diversas até entre pessoas da mesma ordem e paradigma.

Assim, a resposta que vale é a crença de sua personagem, e ela é o guia principal da relação entre personagem e magia. Seria uma ferramenta? Um estilo de vida? Um poder indesejado? Uma dádiva divina? Não se preocupe exatamente com o que isso significa para o cenário, e sim para você.

Muitas vezes seu ponto de vista será posto à prova, sua relação com suas habilidades místicas podem mudar, sua resposta pode mudar. Mas de início, será sua base, o primeiro “pilar” da personagem. Não se preocupe em elaborar, deixar complexo, isso mais atrapalha do que ajuda. De início, uma resposta simples é a melhor. A forma como sua personagem encara a magia, também interfere em sua percepção de mundo.

Aldrich acredita que a magia é vida. Pela sua ancestralidade feérica, esteve tão conectado com natureza mística do mundo, que não consegue ver de forma separada esses dois pontos. Magia é misteriosa, exuberante, e incrível. 

De onde vem seus poderes?

Antes de pensar em qual “classe mágica” participar, — lembrando que nem só de fantasia medieval vive o arcanista — determine uma origem para ela. Pode, claro, se basear na divisão clássica, o RPG padrão acaba dividindo as várias facetas do arcanista e serve de bom guia e facilita o entendimento das muitas facetas da magia. Mas isso, em geral, não importa. O senhor da lojinha da cidade não vai te reconhecer por ser um warlock, e sim por conseguir produzir determinados efeitos.

Sua origem pode vir de qualquer lugar. A fé é um exemplo dela, retirar poderes milagrosos advindos de devoção não é algo incomum dentro dos muitos cenários de RPG, clérigas e outros tipos de sacerdotisas, druidas e as outras vertentes do xamanismo. É um modelo de vida que cria o acesso às habilidades mágicas.

Além disso, qual a relação de sua personagem com a origem de seus poderes? Se for através da fé, como dito anteriormente, percebemos que existe uma ligação íntima, que inclusive significa sua firmeza quanto suas crenças. Mas se for através do estudo? Da comunhão com os espíritos elementais? Como ela chegou até essa origem, e como ela aflorou os poderes místicos?

A origem está ligada a sua motivação, ao porque você conjura. É o ponto de partida para sua personagem conhecer e adentrar no mundo místico. Novamente, não precisa ser nada muito elaborado, mas que seja firme o suficiente para te dar o gás inicial da jogatina.

Aldrich era completamente arrogante com suas habilidades, e antes de aprender magia, Nilmer Capuz Roxo precisou ensinar outras coisas a ele. Aprendendo sobre a beleza do mundo, o jovem aprendiz se encontrou na fé da deusa da magia. Assim, aliou seus estudos a sua crença, conseguindo habilidades que poucas pessoas têm acesso. Agora, Aldrich quer espalhar esse conhecimento e ajudar as pessoas à sua volta.

 

Como você conjura?

Cajados, varinhas, anéis, grimórios, espadas encantadas. Sigilos, ervas ou até mesmo nada, apenas sua vontade. O paradigma diz como você conjura, quais utensílios te ajudam no acesso ao místico, e estes podem ser os mais diversos. Não fique preso no clássico “Componente material”, mude, estilize sua conjuração para o que é adequado a sua personagem.

Você não precisa ser uma barda para conjurar com rimas, danças e música. Na verdade, a conjuração é muito mais ampla, por isso converse com seu narrador sobre as coisas que podem ser permitidas, mas procure deixar o método de conjuração o mais “Personagem” possível, isso auxilia no roleplay de suas magias.

Aldrich é um teurgista muito estudioso, por isso, tem várias fórmulas e anotações em seu grimório, mas ainda precisa de uma melhor maneira de canalizar o arcano. Por isso ele usa um objeto de foco, uma adaga de rubi, última lembrança que tem de sua família.. 

O que você conjura?

Diz muito sobre a personalidade de sua personagem, além do que, a magia é influenciada pelas emoções e personalidade de seu conjurador. Emoções conturbadas, mente atarefada, cansaço, dor, tudo isso é um ponto de aleatoriedade na hora da conjuração, influenciando diretamente seus efeitos.

Então, qual serão as especialidades de sua personagem? Mestra da defesa e expulsão, da modificação de objetos, probabilidade, consegue enxergar a alma da pessoa? Capaz de seduzir uma multidão para o seu lado?

Sugiro sempre escolher os tipos de magia que sua personagem se identifica mais. Muitas vezes, colocá-las nas caixinhas das “escolas de magia” vai ajudar a criar sua especialidade, mas não se prenda a elas. Estipule algo como uma “função” dos MMOs. Quer jogar atacante, então escolha magias que aumentem seu dano, sua defesa e traga uma sobrevida a sua personagem.  Ou o pato, que tem acesso a um arsenal mais flexível de magias.

Aldrich é um arcanista com afinidade por magias de controle. Talvez pelo sangue feérico, consegue efeitos fortes em hipnose ou para enfeitiçar, ou fazer as pessoas dormirem. Além disso, sabe manipular o terreno, para criar algumas vantagens para seu grupo, além de outros fatores. No final, em termos de MMO, Aldrich é um control mage e por isso se beneficia muito dos tipos de magia que enganam ou trazem algum outro tipo de desvantagem ao alvo. 

Quais os seus “pormenores”?

Estes são os pequenos detalhes de sua personagem. Coisas como onde aprendeu magia, seus colegas, seus desafetos arcanos, participar de alguma ordem secreta?, seus objetivos com relação a magia. De forma geral, o seu íntimo.

Nos pontos anteriores, procuramos entender quais sua relação com a magia, e quem é você a partir dela. Agora entendemos aqueles pequenos detalhes que só são reconhecidos na intimidade. Suas particularidades, as pequenas histórias que te acompanham. São simples, sem muita elaboração. Apenas um nome ou frase pequena já aprofundam sua personagem. Coisas como um local onde você aprendeu magia ou mestra, um item que está atrás, o material do seu foco, um símbolo ou tatuagem que possua algum significado a mais, seu animal ou espírito familiar.

Essas breves informações vão além do “Eu conjuro magia x”, são seus maneirismos, e que podem ser usadas tanto pela narradora, quanto pelas outras pessoas que estiverem jogando contigo. Aqui, não é necessário criar algo extremamente coeso, e sim o que pode ser mais legal e divertido de se interpretar. Sua conjuradora pode usar uma foice como foco, mas não necessariamente utilizar magias que envolvam a morte, sendo só uma estética que a sua personagem gosta.

Sinta-se totalmente livre, e acima de tudo, divirta-se criando.

As tatuagens de Aldrich são símbolos e círculos padronizados, mas nunca confirmou se são mágicas. É o filho adotivo de Nilmer Capuz Roxo, mas fez seu estágio com Morgiana Asa Cálida. Seu familiar é uma dragão chamada Soidrie, um ser tímido que passa mais tempo escondido no mundo dos espíritos. Além disso, é a pessoa inteligente mais emocionada do mundo! Capaz de fazer as piores escolhas possíveis em uma situação de grande pressão.