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A Deusa no Labirinto: Quando a fantasia critica a realidade

a deusa no labirinto

De animais falantes dispostos a livrar uma fazenda do terrível fazendeiro no clássico de George Orwell a um estado escravagista liderado por minotauros em A Deusa no Labirinto, a literatura usa do fantástico para trazer a tona discussões reais. Uma leitura, a princípio por puro entretenimento, pode levar o leitor a repensar a sociedade na qual está inserido e levanta discussões cobertas com magia e ação. 

Ficção e realidade

Ler um livro é sempre uma surpresa. Mesmo quando o gênero é claro, muitas vezes somos surpreendidos por assuntos reais e atuais contados de maneira fantástica, romântica e até mesmo aterrorizante. Utilizar a ficção como uma forma de demonstrar opiniões políticas, críticas sociais ou exemplos de superação é tão comum como beber um copo de dinamite pangaláctica. A referência não é gratuita: O Guia dos Mochileiros das Galáxias, de Douglas Adams, critica de burocracia à religião usando humor non sense para destacar o quanto o mundo e a sociedade da realidade podem ser absurdos.

Não que a literatura não possa ser criada visando apenas o entretenimento. Eu mesmo já escrevi textos guiados a recreação das pessoas. Um livro pode ensinar e divertir, muitas vezes (e aí está a genialidade da coisa) ensinar enquanto diverte. E essa é a marca de uma grande obra de gêneros como ficção científica, terror ou fantasia.

A Deusa no Labirinto: A fantasia com contexto 

A fantasia épica dispõe de mundos fantásticos, com religiões, espécies, raças e problemas criados em um universo concebido na mente do escritor. Em A Deusa no Labirintohttps://blog.jamboeditora.com.br/produto/a-deusa-no-labirinto/, Karen, Soarele transporta discussões globais para dentro de Arton, utilizando elementos de Tormenta para contar um trecho sórdido da humanidade.

A escravidão é um dos assuntos impossíveis de não serem discutidos. Ainda hoje, vemos reflexos claros dessa época cruel e suas consequências, como a violência e a normalização do racismo para os descendentes de humanos escravizados. Não deixar o passado morrer e brigar por igualdade é uma das lutas travadas diariamente por toda uma sociedade refém dos estragos causados por séculos de submissão. 

Não só o povo africano, os indígenas também sofreram sob o domínio dos brancos, e a autora deixa claro a indiferença dos escravistas quanto aos seres dominados, tratando o julgamento taurico por uma questão do forte contra o fraco, do poder contra a fraqueza.

Utilizando o medo, degradação e miséria causados por guerras antigas e a Tormenta, os minotauros usam a desculpa da proteção do exército mais forte do mundo e a cidade mais protegida, bem estruturada e em desenvolvimento constante, para permutar a serventia dos seres artorianos por uma humilhante segurança

“Uma vida de submissão, mas uma vida de segurança”

No livro, uma clériga (a velha conhecida Gwen, de A Joia da Alma) devota de Tanna-Toh, se infiltra em Tiberus, a capital do Reino Tapista e um centro escravagista, com a missão de implodir o Império militar taurico.

A intenção da clériga é objetiva: livrar humanos, elfos e qualquer criatura da tirania bovídea. Apesar de fantástica, a rotina fictícia dos escravos nos leva de volta a tempos tirânicos, remetendo a mente do leitor a vil escravidão.

Chicoteamento, encarceramento, submissão e desprezo são rotinas na cidade protegida por Tauron, o deus da força. Mesmo os escravos mais leais (mães dos filhos do patrono, inclusive) recebem chibatadas mensalmente com o intuito de lembrá-los de onde estão e quem são. Nesse ínterim, Appius, filho de um poderoso senador, se mostra um abolicionista ferrenho, contrariando os dogmas do pai e a base na qual o estado tirânico está apoiado. De uma maneira objetiva, a autora nos mostra os dois lados da moeda e ensina que o lugar de onde você vem não o define. Mesmo uma debaixo de uma carapuça grossa de couro, existe um ser sensível e disposto a ir contra tudo para defender seu ideal.

A fantasia critica a realidade

A autora descreve com maestria as perversidades sofridas por todas as espécies encarceradas, passeando por vários pontos de vista. O livro vai desde os escravos que são tratados de forma especial pelos seus senhores e por isso exercem uma função privilegiada perante os demais (e com um detalhe importante: isso não faz com que esses estejam livres do chicoteamento), aos escravos comuns, sombras silenciosas numa mansão hercúlea, dos poderosos. E ainda mostra a naturalidade de como tratam a situação como se fossem seres de bondade e preocupação, cuidando de criaturas indefesas. Uma mesma cena sentida por vários corações e mentes, guiados pelo mundo em que vivem e por toda a história oriunda de tempos maléficos. 

E isso nos insere nesse mundo de caos e tranquilidade, medo e segurança, fartura e solidão. Quando percebemos, estamos cerrando os olhos com a dor de uma chibatada, torcendo o nariz com o desprezo e vibrando com uma conquista. 

E tem mais: A autora nos leva para dentro de mentes psicologicamente destruídas pela escravidão. A narrativa nos mostra a veracidade com que uma relação abusiva e torturante, anos de conformidade regada a força e a destruição da personalidade faz. Não são apenas as marcas visíveis das chicotadas e ataques gratuitos que causam marcas. Após umas reviravolta, escravos conseguem fugir e reagem de maneiras diferentes a confusa liberdade. Alguns fogem afoitos, outros se perdem no mesmo e na insegurança e os mais frágeis psicologicamente procuram uma saída rápida para esse turbilhão de mudanças.

Uma história que resume muitas eras

A Deusa no Labirinto ainda modifica o cenário de Tormenta, e uma das qualidades do livro é o poder sucinto da autora de nos colocar a par de um universo gigantesco criado ao longo de vinte anos. Se você nunca leu nada baseado em Tormenta, não se sentirá perdido. Com doses muito bem divididas e informações inseridas em momentos exatos, o livro consegue te deixar a par de centenas de anos em poucas páginas. A leitura é um sedutor convite para se aprofundar no continente artoniano. A leitura cria o desejo descobrir mais sobre Glórienn, as guerras táuricas, o passado dos protagonistas, como surgiu a tempestade… enfim, apesar de ser um dos mais recentes lançamento desse universo, A Deusa no Labirinto é uma excelente porta de entrada para Arton.

Agora quero saber de vocês: depois desse artigo, conseguem lembrar de algum livro que usou uma roupagem para discutir problemas reais? Escreva nos comentários!

Karen Soarele é finalista do 62º Prêmio Jabuti com romance ambientado em Tormenta

Nesta quinta-feira (22) foram anunciados os finalistas da 62ª edição do Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do país. A autora Karen Soarele é finalista na categoria Romance de Entretenimento, com o livro A Deusa no Labirinto, publicado pela Jambô Editora.

A Deusa no Labirinto é um romance de fantasia épica que mescla inspirações da era medieval com o antigo Império Romano. Ambientado em Tormenta, o maior universo de fantasia do Brasil, narra a revolução das elfas e humanas mantidas escravas no reino dos minotauros, em um contexto de magia abundante e presença de entidades divinas impactando na vida dos mortais. Lançado na Bienal do Livro Rio 2019, o livro é finalista do Prêmio AGES, do Prêmio LeBlanc e do Prêmio Jabuti.

Karen Soarele

Karen Soarele tem 32 anos, nasceu em Assaí-PR e cresceu em Campo Grande-MS, cidade na qual iniciou sua carreira literária. Morou por três anos em Halifax, Canadá, e desde 2018 fixou-se em Porto Alegre. É graduada em Publicidade e Propaganda pela Uniderp-Anhanguera e mestranda em Escrita Criativa na PUCRS.

Karen é autora de seis romances de literatura fantástica: Línguas de Fogo, Tempestade de Areia, A Rainha da Primavera e A Canção das Estrelas (independentes), A Joia da Alma e A Deusa no Labirinto (Jambô Editora), além de diversos contos em antologias. Além da carreira literária, atua como Gerente de Marketing da Jambô, onde foi responsável pela comunicação da campanha de financiamento coletivo Tormenta20, que bateu o recorde nacional em 2019, tendo levantado quase R$ 2 milhões no Catarse.

A Deusa no Labirinto

No oeste do mundo conhecido, o Império de Tauron se ergue supremo.

Em uma terra onde os fortes oprimem os fracos com a justificativa de protegê-los, elfas e humanas são mantidas escravas nos haréns dos minotauros. Assim determina a lei do império, concebida conforme a lei divina do Touro em Chamas.

Ninguém se opõe. Nem os senhores, satisfeitos com o poder acumulado, nem os servos, doutrinados a obedecer. Os outros reinos, temerosos das legiões táuricas, se acovardam. Os deuses, indolentes, apenas assistem à miséria dos mortais. Todos fecham os olhos para a perversidade da escravidão. Chegou a hora de fazer algo a respeito.

Em A Deusa no LabirintoKaren Soarele (A Joia da Alma) aborda a mais controversa das sociedades de Arton. Um farol de paz e progresso em um mundo selvagem, a civilização táurica alcançou a glória, mas a um custo terrível. Quando uma elfa decide agir contra este regime, desencadeia eventos que irão mudar para sempre o Império de Tauron, o Reinado de Arton e o próprio Panteão.

Mais informações

Para mais informações, confira os links da autora aqui.

5 mulheres falam sobre 5 heroínas de Tormenta

O mundo de Arton é cheio de perigos e oportunidades para aventuras, e também é o lar de mulheres corajosas, fortes e inteligentes. A gente aqui na Jambô resolveu celebrar esse dia perguntando para 5 mulheres quem são as heroínas de Tormenta que elas mais admiram.

Da esquerda para a direita:

 

GOLINDA

“Golinda é uma personagem que você respeita. Ou melhor, quando a Golinda fala, você obedece. Ela sabe melhor do que você. Ou você concorda com isso, ou ela te convence com uma surra de frigideira.”

(Karen Soarele é autora de A Joia da Alma, A Deusa no Labirinto e As Crônicas de Miríade)

 

GWEN

“Sempre achei uma mulher forte, decidida e que acima de tudo valoriza o conhecimento. Ela tem todas as qualidades que eu admiro – e até os defeitos também. A Gwen é uma dessas personagens incríveis em quem a gente se espelha pra sermos melhores na vida real.”

(Camila Gamino da Costa é pedagoga e cosplayer)

 

LISANDRA

“Adoro a Lisandra, de Holy Avenger. É fascinante acompanhar o crescimento dela, junto com suas angustias, suas descobertas e seu amadurecimento. Ela tem personalidade própria e se tornou um marco de Tormenta para mim.”

(Ana Cristina Rodrigues é escritora, tradutora, leitora crítica e editora)

 

SHIVARA SHARPBLADE

“Você quer liberdade? Lute! A sua voz vai ser ouvida se não ter medo de bradá-la com a força de uma rainha. Tremo só de ouvir mencionar a toda poderosa Shivara numa campanha. Quero ter esse mesmo efeito quando crescer.”

(Marcela Alban é autora de Astral)

 

VANESSA DRAKE

“Vanessa Drake! Porque além de ser uma mulher decidida e implacável, deixa claro que a maternidade não apaga a personalidade e os desejos do indivíduo. Mães também são gente! E chutam bundas!”

(Elisa Guimarães é revisora, tradutora e editora)

 

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Para tornar essa data ainda mais especial, estamos com 20% de desconto até o dia 16/03 em obras protagonizadas ou criadas por mulheres. Para isso, use o cupom leiturafantastica na compra das obras abaixo:

A Deusa no Labirinto, de Karen Soarele

A Joia da Alma, de Karen Soarele

• Crônicas de Dragonlance: Volume 1 – Dragões do Crepúsculo do Outono e Volume 2 – Dragões da Noite do Inverno, de Margareth Weis e Tracy Hickmann

Astral (versão digital), de Marcela Alban

• Série Crônicas de Myríade: Línguas de Fogo, Tempestade de Areia e Rainha da Primavera, de Karen Soarele

Crônicas de Minas Gamedevs, de Flávia Gasi e Kaol Porfírio

Histórias de Terror para Crianças Estranhas, de Rebeca Puig e Rebeca Prado

Navio Dragão, de Rebeca Prado

Saudade, de Melissa Garabeli e Phellip Willian

• Mercenário$ Volume 1, Volume 2, Volume 3, Volume 4 e Especial, de Fran Briggs e Anna Giovannini

• Faith Volume 1 e Volume 2, da Valiant

Alice no País dos Pesadelos, de Jonathan Green