Categoria:Em nome da Rosa: Blue Rose RPG

Em nome da Rosa — Contos Românticos: Pequena Rosa Pálida

Papel com textura de pergaminho, com moldura antiga de espelho dourado e duas rosas esmaecidas no fundo

Pequena Rosa Pálida é uma Aventura dividida em duas partes, uma clássica história de amor e tragédia que se passa principalmente em Aldis. Contudo, o decorrer da história nos próximos capítulos, os levará para outros pontos do mundo de Aldea.

A ideia é que seja de dificuldade Moderada, sendo uma introdução a Blue Rose como um todo. Porém, não se acanhe em adaptar, mudar ou até mesmo reescrever caso ache necessário para suas sessões, cada mesa de jogo funciona de forma diferente.

Essa aventura inicia no nível 4 e recomenda que os personagem subam para o nível 5 ao final dela. Os personagens são livres para não se envolverem mais com o problema no final da história, mas ainda existem muitos mistérios a se resolver

Resumo da Aventura

Um convite chega ao grupo. A princípio, apenas um baile de bodas comemorando mais um ano do casamento de Lorde Alden com seu marido Callum. Eles chamaram todos os nobres, nomes de importância e heróis da região.

Essa aventura explora o lado não tão romântico da Rosa Azul, voltado para sua tragédia e algumas marcas deixadas pela guerra contra os Reis Feiticeiros. Ela aborda o uso criativo das perícias, principalmente na investigação e intuição, na intriga e na letalidade que um combate pode ter.

Ato 1 – Amar como Você

No início da noite, cartas são entregues ao grupo. Quem as leva é um mensageiro de roupas sociais e um falar extremamente polido e requintado. Em suma, ele explica o teor das cartas e sai para continuar suas entregas.

O convite é bonito, e possui anel no envelope, apenas pessoas com esse anel poderão entrar no baile. Este anel mágico os identifica para a guarda, permitindo a passagem.

Alguns motivos possíveis para o grupo ir até a festa:

  • Conhecerem Lorde Alden e sua família, indo prestigiá-lo;
  • Sabendo que muitos nobres foram convidados, conseguir patrocínio;
  • Aumentar sua rede de contatos;
  • Ir apenas pela diversão, afinal, festas promovidas por nobres sempre rendem boas histórias de bar.

Comece a Festa!

Ao chegarem no salão da casa, uma Noturno (e filha mais velha da família) os receberá. Rosalind é solícita, mas não de muita conversa e parece estar incomodada com a festança. Portanto, se perguntada, dirá apenas que não se sente bem, e mudará de assunto. Ela sempre estará acompanhada de alguns pretendentes (lembrando que Blue Rose não faz acepção de Gênero e Sexualidade).

Além dela, Alden e Callum — um Vata’an e um humano, respectivamente — estarão sempre em uma posição de destaque, recebendo seus convidados com largos sorrisos e recepção calorosa. Mesmo após vinte e cinco anos, ainda são um casal muito apaixonado, e isso fica claro, podendo ser muito romântico, ou bem brega. Além disso, Alden está um pouco embriagado.

De toda forma, um clima estranho é notável. Toda vez que o casal passa, alguns sussurros e cochichos surgem, como se todo mundo soubesse de algo e eles não. Um teste de Percepção (9) entrega que algumas das pessoas estão ansiosas e ariscas. Um resultado 11 percebe que uma delas possui um anel adulterado.

Se o grupo notar o anel, encontrarão Leonard, que está conversando com Rosalind, e ela não parece muito feliz de encontrá-lo, ao mesmo tempo que não parece querer expulsá-lo da festa.

Ato 2 – Faça isso por ela!

Antes da dança, o grupo está livre para explorar e interagir com várias das figuras presentes no salão. A maioria delas sendo nomes de expressão dessa região, contando histórias de seus feitos, ou apenas fofocando a vida alheia.

Caso o grupo esteja à procura de algum tipo de patrocínio, se decepcionam pois os poucos nobres que foram ao baile não estão muito dispostos a auxiliar. Porém, um Rhydano parece interessado em jovens que estão procurando seu espaço no mundo, seu nome é Astolfo

Esse gato de consciência desperta convida o grupo para que conversem mais no dia seguinte, mas antes que ele termine de falar, as luzes se apagam. Subitamente alguns barulhos de coisas quebrando podem ser ouvidos e quando a comoção diminui, Alden é encontrado morto, com sua taça de vinho largada ao chão.

Callum corre até seu marido, ele está incrédulo e em estado de choque. Logo todo o salão é trancado, e só sairão quando o culpado for encontrado. As tensões vão ao limite, dedos são apontados e pessoas simplesmente sumiram das vistas.

Aqueles que se escondem

Para encontrar o culpado, o grupo precisa passar em um Teste de Tarefas, com dificuldade 9, mas precisando acumular 10 sucessos. Não esqueça de usar os Pontos de Façanha! Vão ser necessários!

Qualquer foco será aplicável, caso faça sentido com a ação (como explicado na pág.16 do livro básico). Essas são as principais pistas:

  • As duas pessoas com os anéis falsos desapareceram;
  • O vinho servido para Alden e Callum possui indícios de veneno mágico, Callum ainda não havia bebido naquela noite;
  • O corpo de Alden possui marcas de espada em suas costas;
  • Leonard está arisco e diz que faria tudo pelo bem de Rosalind;
  • O Rhydano Gato Astolfo informa sobre movimentos estranhos no corredor que leva aos quartos da casa.

Ao terminarem a investigação se deparam com a seguinte cena: Rosalind ferida em seu quarto, sendo acompanhada por 2 pessoas, essas com os anéis falsos. Essas pessoas estão atentas a qualquer mínima movimentação, e irão atacar o grupo assim que puderem.

A situação pode ser resolvida em um combate, ou numa infiltração, ou em qualquer outra ideia louca que o grupo possa ter. Lembrando, que a aventura usa a dificuldade média 9, sendo um trabalho fácil, mas nem tanto.

As fichas de Adversário estão presentes na página 333 e 334, sendo as de Guerreiro e Adepto.

Ato 3 — É isso, acabou…

Com Rosalind acudida, e os intrusos detidos, ainda sim o mistério continua. Não se sabe exatamente os motivos nem o mandante da morte de Alden. Assim, o grupo pode intuir, sem necessidade de testes, o envolvimento de Leonard. Sua relação com ela não parece saudável, e até mesmo a presença dele no baile é estranha.

Mesmo com toda a comoção, é difícil retirar alguma informação de Rosalind. Ela está sim abalada e aflita, mas continua escondendo algo. Se confrontada, em algum momento ela irá ceder(um teste de dificuldade 7), e explicará uma outra parte da história.

Leonard foi um relacionamento antigo que não deu certo. Na cabeça dele, os culpados eram Alden e Callum, que não aprovavam o namoro. Contudo, quando ela descobriu sobre o plano de assassinato, tentou criar uma armadilha. Quando as luzes se apagaram, Rosalind foi confrontá-lo, as coisas não saíram como esperado, mas ao menos conseguiu impedir a morte de um de seus pais.

Confrontar Leonard exige preparo. Ele ainda é um nome de importância e um infiltrador proeminente, a termos de mecânica, possui a ficha de Ladino (pág. 334).Pode-se desejar um combate direto para levá-lo à justiça, ou um Teste de Perigo, presente na pág. 316. Sendo uma Perseguição de Categoria Pequeno. Sua fuga implica em seu desaparecimento, já em caso de captura, duas coisas podem acontecer.

Sangue com Sangue

Callum está visivelmente abatido, mas seu sangue transborda de raiva. No passado, ele foi um pirata, e deseja cobrar sangue com sangue:

  • O grupo pode impedi-lo, não sendo uma tarefa fácil.
  • Deixar que ele termine sua vingança, o que causaria desconforto aos envolvidos.

De toda forma, o caso será resolvido, o nome do grupo será reconhecido, principalmente por sua ação rápida e eficaz na investigação. Uma recompensa será dada por Rosalind sendo ela Honraria, Afiliação ou Equipamento, presentes no capítulo 11 do livro básico.

 Considerações finais

Ainda existem algumas lacunas a serem preenchidas, mas estas foram deixadas de propósito, dando margem para criação em cima da estrutura principal. Além disso, essa aventura funciona tanto como uma One-Shot ou como uma Série Breve, guardada as devidas adaptações.

O guia de como se criar uma ficha para Blue Rose está presente no artigo Criando sua Personagem Heroica, que ensina a montar sua personagem do zero, e as informações sobre subir de nível estão presentes na pág. 45 do livro base.

A história não termina aqui, Pequena rosa pálida possui consequências que virão numa parte 2 expandindo e explorando o mundo de Aldea.

 

Em nome da Rosa: Personagens e Ganchos (1)

close em braço de madeira de alaúde, mostrando as borboletas de afinação

Desde o lançamento de Blue Rose, venho pensando e criando NPCs e PJs que possam se envolver em toda a trama política do cenário. Assim, aqui vão dois personagens diretamente ligados com o mundo de Aldea, podem estar em qualquer lugar do Reino da Rosa Azul e Além. Não possuem ficha, para serem genéricos o suficiente para que se encaixem na sua Série de Blue Rose, ou até mesmo em outros sistemas. Com uma descrição, história e os tipos de aventuras que normalmente se envolveriam ou contratariam as personagens

Por serem tão íntimos ao sistema, muitos dos termos aqui usados podem não ser familiares para leitores de primeira viagem, mas tudo é encontrado e explicado no livro básico de Blue Rose

 

Alaúde Quatro-Folhas

“Era uma vez, um reino antigo…”

Alaúde cresceu no meio dos Vagantes, um povo de cultura nômade que viaja por Aldea. Por seu contato com diferentes pessoas, cidades e conhecimentos, desde cedo, ele desenvolveu um grande apreço por catalogar histórias e passá-las para frente. Não foi de se surpreender, no entanto, quando suas pesquisas se voltaram para Kern.

Kern é o reino sombrio, que usa da magia para escravizar. O conhecimento mágico de feitiçaria é vista com péssimos olhos no Reino da Rosa Azul, mas Alaúde tem certeza que esse poder pode ser usado para ajudar as pessoas, e até mesmo evitar desastres como a Ascensão dos Reis Feiticeiros.

Assim, ele viaja por Aldis, cantando baladas de tempos imemoriais, desde a Era Mítica dos deuses, até a revolução que libertou o povo dos poderosos Lichs. Suas histórias são celebradas e reconhecidas, mas na verdade elas são cartas abertas, um chamado para pessoas que queiram se juntar a ele na busca pelos conhecimentos antigos

Alaúde é austero, bem compenetrado, e possui um senso de humor… duvidoso. Anda sempre com um chapelão adornado com penas brancas, não se sabe a qual raça pertence, e é versado em diferentes instrumentos musicais. Anda sempre de olhos fechados, por um motivo desconhecido, e seu título de Quatro-Folhas não se deve a sua sorte, mas sim ao seu azar de sempre se envolver nas mais terríveis situações, afinal, revirar o túmulo do passado trás consigo infortúnio.

Crônicas e Séries que o envolvem, normalmente terão como objetivo resgatar/encontrar algum item de valor imensurável, e que ao mesmo tempo seja visto como escuso ou tabu. Não é raro incursões a Kern, mas ele não se limita a história dos reis feiticeiros.

 

Maya Eleonore Arantis, A Pop Star de Aldis

“Não se exaltem, tudo pode ser resolvido com uma boa conversa”

Os Arantis são uma família respeitadíssima de médicos e curandeiros, possuindo influência Além de Aldis, porém, mesmo sempre sendo cotados para tal, nunca participaram do teste do Cetro. Até que Maya mudou os protocolos. Ela não possuía talentos para a cura, mas chamava atenção por onde quer que passasse.

Seu jeito alegre e descontraído fez fama, e não longe disso, era uma poetisa primorosa. Suas apresentações eram lotadas, misturando magia e artes cênicas criando um espetáculo de brilhar os olhos. Porém esse não era seu verdadeiro talento. A diplomacia entrou de supetão em sua vida, se vendo obrigada a mediar um conflito após uma apresentação na corte de um nobre.

Maya era boa, muito boa, o que lhe garantiu certos status, influência, e cada vez menos poemas, e mais relações internacionais. Em poucos anos, sua presença era certeza que as negociações e acordos ocorreriam sem grandes problemas, principalmente para ela.

Quando informada do teste da Rosa, viu-se dividida entre a família que era contra, e a possibilidade de ser algo além do que seu sobrenome já garantia. A maior surpresa, no entanto, foi quando Cetro da Rosa Azul a recusou. Algo em seu coração não estava tão puro, causando um grande vexame, que mais tarde seria contornado. Mesmo assim, continuou sendo altamente requisitada.

Maya é uma Vata’an diferente, possuindo orelhas mais pontudas. Não deixa seu cabelo prateado de nascença, pintando-o de rosa sempre que possível. Sua fala é mansa e sedutora, trazendo aliados inesperados, sendo bem quista até no Reino do Matriarcado de Lar’tya. Contudo, ela ainda é bastante inocente e um tanto agitada. Quando está nervosa ou ansiosa, ela fala tão rápido que até perde o fôlego.

Crônicas e Sérias que a envolvem costumam ser românticas e aventurescas, além de abordarem bastante a política entre os reinos e alianças nobres. Em sua, os pedidos de Maya abrangem espionagem, informação cruzada, ou até mesmo fazer algum outro trabalho enquanto ela chama atenção do público.

 

Em nome da Rosa — Manifesto de Orgulho e Identidade

Rose azul em estilo de pintura aquarela

Com o lançamento de Blue Rose, tivemos uma mesa curta com as pessoas que participaram da adaptação em português do sistema. Buquê de Espinhos teve apenas três episódios, e no primeiro existe uma cena que Elegor, personagem de Thiago Rosa,  conversa com um cocheiro e o trata por pronomes masculinos. Quando em um determinado momento essa pessoa se trata no feminino, Elegor pede desculpas e recebe a seguinte resposta: “Não importa”.

Diversas vezes Blue Rose separa pequenas seções em conversas sobre inclusão. Nenhum povo é maligno, não existe essa predestinação, cada indivíduo tem sua própria vontade e formas de agir. É injusto acreditar que um Noturno é apenas uma criatura bruta e burra que vai agir pelos músculos. Afinal, sua representação no capítulo das raças é uma família segurando um bebê.

Em outros momentos, diz sobre o quanto é necessário definir a sexualidade e gênero de sua personagem. Possuindo até mesmo palavras para identidades que conhecemos no mundo real. Como laevvel que se refere a Pessoas Não Binárias, ou caria daunen, para pessoas que se atraem por outras do mesmo sexo.

Preconceitos e discriminação são para os inimigos a serem combatidos, ou ignorantes que ainda não compreendem a pluralidade do mundo. Algo reiterado diversas vezes durante todo o texto sobre ambientação e criação de personagens.

Assim, o “Não Importa” soa diferente. Essa frase é utilizada em um contexto específico, mas em outra perspectiva, ganha impacto fora do ambiente de jogo. Você importa, o que dizem sobre você, não.

Infelizmente, a vida não é tão romântica e receptiva quanto o Reino da Rosa Azul, mas é tão diversa quanto. Esse artigo sairá durante o Mês do Orgulho LGBTQIAP+, uma época marcada pela reafirmação de nossa identidade, mas que não foi escolhida à toa. Aqui também lembramos das pessoas que vieram antes e lutaram pela causa.

O Mês do Orgulho LGBTQIAP+

 A Revolta de Stonewall ocorreu neste mês, quando as leis homofóbicas dos Estados Unidos permitiam o abuso de poder dos policiais, que resultou em um conflito que durou uma madrugada. Marsha P. Johnson, uma mulher trans preta e ativista, se tornou símbolo de resistência para muitos de nós, contestando uma sociedade que a excluía.

No Brasil, inclusive, tivemos nossa própria manifestação. Além da “Marcha Gay”, que acontece sempre nos dias 10 e 11 de Junho, houve o levante do Ferro’s bar, impulsionado pelo movimento lésbico e movimento feminista.

Pode parecer desconexo com o tema central da coluna, mas é dificil ler Blue Rose sendo uma pessoa Não Binária e Pansexual, no mês do orgulho, e não associar os temas do jogo com todas as questões, bandeiras, toda a luta que vem ocorrendo muito antes de nós. É um sistema de 2005, com sua segunda edição em 2017, e se mantém muito atual.

E mesmo que não seja intencional, Blue Rose é uma Fantasia Romântica, um gênero literário escrito principalmente por mulheres, muitas dessas ativistas do movimento feminista. Querendo ou não, a Rosa Azul nos abraça, o livro o tempo todo está se comunicando sobre a importância da pluralidade.

E não é apenas uma questão de autores queer escrevendo para o hobby, mas a cada dia que se passa, a comunidade cresce, pessoas LGBTQIAP+ formam uma grande parcela. Com folga, os eventos de RPG atualmente partilham de maior diversidade do que nos anos 90 — e alguns poucos teimam em dizer que foi a “época de ouro do rpg”.

Existe a preocupação de abraçar o público, de acolher e criar espaços seguros, e isso parte desde os livros básicos. O papel social do RPG moderno é justamente acolher aquelas pessoas que foram excluídas do próprio círculo.  Reafirmar identidades e ainda mais, garantir segurança para quem joga.

Assim, pessoas Bi e Pan não estão confusas, pessoas Gays e Lésbicas não estão apenas em “uma fase”, pessoas Trans não lhe devem “passabilidade”. Em suma, o que buscamos, seja no jogo, seja na vida cotidiana, não é apenas o respeito — isso é o mínimo —, mas o direito de existir, como indivíduo, e de importar.

Em nome da Rosa: Criando sua Personagem Heroica

Dois persongens Vasta em pé, tendo no fundo uma grande cidade com abóbada de bronze

O sistema AGE é bem difundido pela cena do RPG, mesmo assim, com cada jogo sendo lançado, novas jogadoras se interessam nele. Em Blue Rose não é diferente e por isso vamos entender melhor o passo a passo de como montar sua Personagem Heroica. Esse é um resumo do passo a passo encontrado no capitulo de criação de personagens do livro, assim, para mais detalhes, você pode comprá-lo no site da Jambô.

Quem é você?

Um dos primeiros tópicos para qualquer ficha de RPG é o conceito de seu personagem, os motivos dele querer se aventurar e ser quem é. Em Blue Rose não é diferente, e incentiva essa criação. Seu personagem é um nobre? pertence a Aldis ou de algum reino diferente? Ele pertence a um povo específico? O que sabe fazer? O que não sabe?

Aqui temos Berenice Widowghast, um Vata — uma raça que descende dos Vatazin, e são tocadas pelo arcano — que nasceu no reino Aldis, e aspira ascender à nobreza através do Teste do Cetro. Ele pertence aos Vagantes, uma nação nômade que também povoa o Reino da Rosa Azul, e sua maior especialidade é o arcanismo e a palavra.

Como se apresenta?

Agora que temos um breve resumo de quem é nosso personagem, vamos traduzir isso em números para a ficha. Blue Rose trabalha com nove habilidades, semelhantes ao sistema de Atributos dos D20, que em geral, são autoexplicativos em sua função. Para decidir seu valor, rolamos 3d6 ou por compra de pontos. Decidimos usar rolagem, e por isso, ficamos com: 7/6/9/13/10/12/6/12/9. Esses resultados, na verdade, significam os Valores Iniciais encontrados na tabela Determinando Habilidades.

Assim, em vez dos valores cheios, temos 0/0/1/2/1/2/0/2/1. E por sermos Vata, precisamos decidir algumas coisas antes de aplicar as habilidades. Se seremos Vata’sha, os “sombrios” ou Vata’an, os “verdadeiros”. Berenice será Vata’sha. Além disso, podemos escolher dois benefícios, sendo nesse caso +1 em Comunicação e Foco Inteligência (Conhecimento Cultural) — o que seria próximo ao que conhecemos como Perícia em outros sistemas..

Nossa distribuição final ficará:

Combate: 0 Comunicação: 2 Constituição: 1 Destreza: 0 Força: 0 Inteligencia: 2 Percepção: 2 Precisão: Vontade: 1

Aonde você pertence?

Aqui voltaremos ao primeiro tópico. Vagantes podem ser um povo nômade, mas também podem pertencer a determinados clãs existentes em Aldis, mas este não é o caso de Berenice, por isso, seu Antecedente, aquilo que representa sua origem, será Vagante e não Jarzoni, Aldino ou Rezeano. Assim recebemos um Foco da lista e os idiomas. Aqui escolhemos Foco Comunicação (Barganha) e recebemos Faento, o idioma Vagante, e Aldino, o idioma do reino.

Também não podemos esquecer de anotar nossas capacidades como Vata, essas são um tanto extensas, e modificam outros pontos de seu personagem, portanto vale uma passagem rápida aqui:

  • Para quesitos de recuperação de vida, somos considerados 2 pontos acima da nossa constituição.
  • Nosso deslocamento é 10+destreza, nesse caso, apenas 10 quadrado
  • Ganhamos grau novato em 1 talento arcano da lista, escolhido foi Mediativo

Como Vata’sha também recebemos Visão no escuro e luz brilhante nos cega por 1 rodada quando somos expostos a primeira vez a ela.

O que sabe fazer?

Berenice é, de certo, um diplomata prodigioso, mas ele não possui apenas uma língua de prata, ele sabe se cuidar nas situações mais perigosas, sem se expor muito, e ainda sair por cima. Ainda sim, é um personagem de primeiro nível, ainda não possui muitas habilidades, e vem aprendendo a magia aos poucos.

Nossa classe será Adepto, e como informações básicas da classe, conseguimos usar Bastões como arma, 20+constituição+1d6 pontos de vida, dando um total de 24 pontos. E recebemos também alguns talentos:

  • Um Talento arcano da lista: Treinamento Arcano.
  • Canalização Arcana: Podemos usar Façanhas arcanas por 1 ponto em vez de 2, e ao usar a façanha Canalização Poderosa, ela é considerada 1PF a mais do gasto.
  • Um Talento Inicial da lista: Conhecimento.

Lendo as letras miúdas

A princípio, nossa ficha está pronta, mas é importante notar alguns fatores. O primeiro deles é que nosso personagem tem dois Talentos Arcanos de grau Novato, um por Raça e um pela classe Adepto. Mediativo e Treinamento Arcano nos dão acesso a magias diferentes, e em ambos, de suporte e utilidade, não um ataque direto ao oponente. Mais sobre elas estarão descritas no capítulo de talentos e de magias.

Outro ponto importante é: Berenice é um personagem pensando totalmente para encontros sociais, não tem proficiências em combate direto, e evita isso ao máximo, sendo um diplomata. Sua origem Vagante permitiu conhecer muito do reino, possui assim contatos em vários pontos, em clãs e famílias diferentes.

Por fim, decida sexualidade, aparência, gênero e pronomes de sua personagem. Pode até não parecer importante, mas esses são assuntos abordados em Blue Rose, e possuem até uma seção mostrando o vocabulário próprio para o cenário. Aqui, não desenvolvi muito, mas deixei claro que Berenice, mesmo com o nome “feminino”, utiliza pronomes masculinos.

Em nome da Rosa — Apresentando: Blue Rose

Imagem de Blue Rose RPG. Uma barda em pé tocando violino, cerca de pessoas sentadas acariciando gatos.

Finalmente Blue Rose chega ao Brasil. Mostrando uma forma diferente de se pensar a fantasia medieval, o rpg traz o romantismo característico de autores como Julia Quinn e põe as personagens no mundo maravilhoso e cheio de perigos das histórias clássicas. Esqueça as grandes batalhas, e venha para os dramas de corte e o jogo político do mais novo lançamento da Jambô Editora!

Raízes da Fantasia Romântica

Acredito que a forma mais fácil de se apresentar esse gênero é fazer a comparação mais óbvia: Imagine a trama de Orgulho e Preconceito na Terra Média, Arton, ou qualquer cenário medieval fantástico favorito. Porém, isso não resume a grandeza e as diferenças para o mundo de Aldea.

Aqui houve uma guerra, tiranos derrubados, mas a guerra em si não é o foco da história, mas suas consequências. Como o mundo abraçou os refugiados, como Aldis — o reino da Rosa Azul — se empenhou em reestruturar as nações. A política interna e externa se torna o alvo da trama principal.

Relacionamentos, o jogo da corte, a sexualidade, questões de gênero e raça. Esses são os pontos explorados no romance, com o verniz da magia e do deslumbramento. Aqui não temos elfos, orcs e anões, mas seres fantásticos novos, mais abrangentes até. Um escopo muito comum nesses cenários é de animais sencientes, não bípedes, mas iguais ao seu cachorro ou gato.

Inclusive, o próprio livro cita autoras desse gênero para conhecer e criar suas “séries”, ambientando melhor a leitora, já que a fantasia romântica é pouco conhecida pelo público geral.

O mundo da Rosa Azul

Falando diretamente sobre o cenário, Blue Rose não te prende a um reino específico. Claro, Aldis é a região central, onde a maior parte do romance acontece, mas é muito possível jogar em todas as outras partes do mundo de Aldea. Cada um com suas características específicas, como Kern que ainda é regida por tiranos escravagistas e um povo que busca se libertar, e o Matriarcado de Lar’tya uma região onde as mulheres assumem os maiores postos e responsabilidades de sua sociedade.

Agora, sobre Aldis, um dos pontos mais interessantes é sua diversidade. Todo tipo de pessoa e cultura é aceita no reino, que escolhe seus nobres e regentes julgando a pureza dos desejos de seu coração, de uma forma literal. Existe uma preocupação de não repetir os erros que levaram às guerras do passado e de promover inclusão.

É bom citar que existem nomenclaturas diferentes, para, por exemplo, pessoas não-binárias, laevvel. Para mim, como uma pessoa trans, é gratificante ver o trabalho e cuidado que Blue Rose tem em acolher e conversar diretamente com essas minorias. Como o próprio livro diz, essas questões não são empecilhos, e quem propaga preconceitos ou percebe seus erros, ou são vilões a serem derrotados.

As pétalas do Sistema AGE

Como muitos RPGs atuais, Blue Rose utiliza o Sistema AGE. Ou seja, role três dados — um tendo cor diferente — some os valores com as habilidades referentes e atinja um número alvo. Dados iguais geram pontos de Façanha, e sua quantidade é definida por esse terceiro dado, em Blue Rose chamado Dado de Drama.

Tendo esse pequeno resumo, fica muito mais fácil entender como o jogo funciona. Sabendo que se propõe a tramas de intrigas políticas, drama palaciano e romance exagerado, as regras simplificadas agregam na jogatina e geram maior controle da cena para as jogadoras.

Além das novas opções para criação de personagens, Blue Rose RPG traz o Dado de Drama — citado anteriormente —  e a Convicção. O primeiro é um mediador, serve para desempates de resultado, saber quantos Pontos de Façanha conseguiu e como um termômetro para se saber o quão bom foi o sucesso, saber se foi na risca, ou uma ação primorosa.

Já a Convicção é algo que se tem desde a criação de personagens, e demonstra a força de vontade de sua personagem. Começando em 3 e aumentando por patamar e serve para ações especiais de uma breve tabela, como, por exemplo, sobreviver a uma morte certa, rolar novamente o teste, e outros usos criativos.

Considerações

Blue Rose é um dos sistemas que mais me tem cativado atualmente. Quanto mais eu leio, mais quero falar, escrever e criar sobre o RPG. É legal como a comunidade tem abraçado e buscado saber mais sobre o jogo, principalmente com as mesas surgindo.

Na própria Twitch da Jambô Editora está acontecendo a série Buquê de Espinhos, disponível também no youtube da editora onde uma parte da equipe de edição e tradução está jogando, apresentando Blue Rose na prática.

Além do mais, essa nova coluna será dedicada ao sistema, debatendo ele com um todo e produzindo material para suas mesas de jogo. Assim, todo mês, sairá alguma coisa nova sobre o mundo romântico de Aldea — que eu quero muito arrumar uma mesa pra jogar.