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Mesa Sonora — Tensão e Música No RPG

músicas tensas para rpg

Como toda narrativa, o RPG precisa de momentos de tensão para ficar interessante. Como toda narrativa, a música também se beneficia de tensão. Sim, a música também é uma narrativa e muitas de suas técnicas de composição e efeitos causados nos ouvintes podem ser comparados ao ato de contar uma história. Mas calma, nada tema, darei uma breve explicação de como isso funciona e como encontrar essas tais músicas tensas para RPG.

Na música

O uso de tensão no contexto musical é amplamente explorado há séculos. Pode ser conseguida de muitas formas, como no ritmo, na melodia ou, mais comumente, na harmonia. No geral, a música cria tensão para eventualmente alcançar uma resolução que satisfaça o ouvinte. Pense no refrão da sua música favorita, muito provavelmente ele termina de maneira “confortável”, como se a música tivesse “voltado para casa”, essa é umas maneiras comuns de se resolver tensão em música. Como em toda arte, essa experiência pode variar. Assim como um conto de terror, uma música pode acabar sem uma resolução satisfatória, deixando uma sensação de desconforto proposital.

No RPG

O bom mestre é aquele que sabe aproveitar dos elementos de sua aventura para deixar os jogadores sentados na borda de suas cadeiras. A sensação de antecipação pode ser amplificada através da trilha sonora certa. Aqui cabe um pouco de preparo do narrador, pois da mesma forma que a música certa ajuda a criar o clima de arrepio dos cabelos, também é necessário pensar na resolução. A música que você escolheu possui uma resolução satisfatória para sua cena, ou será preciso escolher outra? O que vem depois da tensão? Talvez seja um algo mais calmo, ou empolgante, ou até mesmo triste, mas pense em como trazer seus companheiros de mesa de volta ao “normal”. Eles merecem.

Encontrando essas tais músicas tensas para RPG

Por sorte, essa parte é mais fácil do que parece: trilhas sonoras de filmes, séries e videogames estão recheadas de músicas de tensão porque, como foi dito, são parte fundamental de recursos narrativos. Temas de vilões, de chefes de fase, de grandes batalhas, de monstros, e de momentos de grandes revelações nas histórias são excelentes pedidas para essas horas. Mas é claro, eu selecionei algumas favoritas para vocês usarem como músicas tensas de RPG:

Tema da Batalha dos Campos de Pelennor

A música da Batalha dos Campos de Pelennor da trilogia O Senhor dos Anéis é um primor de ambientação tensa. A grande batalha que acontece nos livros e no filme foi acompanhada de uma composição magnífica, que coloca o espectador no meio da ação. Essa peça evoca heroísmo e camaradagem entre irmão de armas, o que a torna excelente para uso em grandes e épicos combates.

Tema de Magus

O tema do vilão Magus do jogo Chrono Trigger é um dos muitos temas de vilão que podem ser usados na sua campanha. Cheia de personalidade e com a clássica orquestração em 16 bits dos tempos do Super Nintendo, essa música é atemporal (trocadilho com o jogo que envolve viagem no tempo 100% proposital) e pode ser usada como atmosfera de quase qualquer tipo de cenário.

Duel Of The Fates

A peça Duel Of The Fates de Star Wars – A Ameaça Fantasma é instantaneamente reconhecível por qualquer pessoa que tenha visto o filme. Além de ser parte de uma das lutas mais emocionantes da franquia, essa música é épica do primeiro ao último segundo. Ótima para ser usada para antecipar e iniciar um confronto entre heróis e vilões.

Tema dos Guardiões

O tema dos Guardiões de The Legend of Zelda – Breath of The Wild provoca um medo imediato em quem experimentou o jogo. Essa música é apenas tensão. Apesar do arranjo relativamente simples, ela existe apenas para causar uma sensação de desespero e desconforto e pode ser utilizada contra seus jogadores também.

Marte, O Mensageiro da Guerra

Saindo um pouco de trilhas sonoras, a peça Marte, O Mensageiro da Guerra de Gustav Holst é uma aula de composição de como provocar diferentes sensações no ouvinte. Essa música utiliza das mais variadas ferramentas musicais para provocar tensão. Dos ritmos errantes até a harmonia incrivelmente eficiente. É certamente o pano de fundo para momentos grandiosos.

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Qual música nunca falha em te deixar arrepiado? Deixe um comentário abaixo!

 

Mesa Sonora

Músicas empolgantes para RPG

Mesa Sonora — Músicas empolgantes para RPG

músicas empolgantes para RPG

Por mais animado e habilidoso seja o seu mestre, uma boa aventura sempre pode ser enriquecida com uma trilha sonora excepcional. Imagine seu filme ou jogo favorito sem trilha sonora? A experiência pode até ser boa, mas a música torna tudo mais especial. Glauco Lessa já lançou uma matéria sobre o uso de playlists em RPG na Dragão Brasil 168, então não irei discorrer demais sobre os benefícios dela, em vez disso, tentarei focar em alguns usos e um tipo específico de clima: músicas para momentos empolgantes da aventura.

Como usar músicas empolgantes para RPG

Momentos empolgantes tendem a ser especiais para os jogadores, pois é quando eles se lembram que seus personagens são heróis capazes de realizar façanhas incríveis. Ajudar na imersão dos jogadores os fazem sentir mais parte do cenário. É importante notar que casar a música com a campanha ou o cenário é vital para o sucesso da imersão. Seria estranho, por exemplo, tocar tecnobrega num cenário medieval, exceto se o cenário pedir esse tipo de dissonância (aliás, me cobrem um artigo sobre isso no futuro).

Outro grande motivo para uso de músicas empolgantes é a preparação dos jogadores para o que vem a seguir. Dando a seus colegas de mesa a chance de sentir o clima, eles poderão perceber que estão prestes a enfrentar um perigo novo, ou embarcar numa grande jornada. Pessoalmente, eu vejo as músicas empolgantes como um convite à aventura, quando os aventureiros ainda estão frescos e descansados, prontos para vencer o mundo, ou então quando estão sendo recompensados por seus esforços sobre-humanos. Obviamente, cada mestre sabe melhor como definir o clima de sua mesa.

Músicas empolgantes para sua mesa.

O tema de introdução de The Legend of Zelda: The Wind Waker é um exemplo belíssimo de como começar uma jornada nova. Muito ao estilo do jogo, a música nos prepara para uma aventura cheia de explorações e mistérios, colocando jogadores no clima certo para tomar suas armas e sair pelo mundo.

 

 

O Tema da Força da franquia Star Wars se tornou um clássico desde o primeiro filme, por ser um brado de encantamento com o desconhecido e vontade de explorar o que há além. Não apenas isso, o tema virou recorrente na série de filmes e foi usado, mais de uma vez, como fechamento de ciclos. Excelente exemplo de como um mesmo motivo musical pode ser usado de maneiras diferentes.

 

Para quem curte um clima mais descontraído, mas igualmente épico e muito divertido, o tema principal da série Piratas do Caribe é um clássico muito reconhecível, mas que pode ser extremamente útil na hora de colocar os seus jogadores nas pontas dos pés e alegria e animação pelo que virá em seguida.

 

Outro tema piratesco muito divertido é a introdução de The Secret of Monkey Island, ainda que seja menos épica (o que pode ser uma coisa boa e desejável).

 

Entrando em temas mais modernos para ambientações mais atuais (ou futuristas 😉), Tank!, a abertura do anime Cowboy Bebop é reverenciada por fãs desde o primeiro episódio. Desde as primeiras notas, o chamado de “let’s jam!” até o final, essa música é capaz de colocar até aventureiros desanimados na vontade de chutar bundas e descobrir segredos.

 

E uma menção honrosa para encerrar e puxar um pouco a sardinha para o meu lado, a abertura de Fim dos Tempos foi desenvolvida especificamente para dizer “é hora de rolar dados e viver intensamente numa mesa de RPG”. Se essa música é capaz de colocar centenas de espectadores no clima de mesa de RPG toda semana, tenho certeza de que pode ser capaz de ajudar a sua mesa também!

 

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Qual sua música preferida para aqueles momentos de empolgação na mesa de RPG? Conta pra gente nos comentários.

Ex Tenebris, Lux: uma música sobre a Tormenta pelo bardo Victor Lucky

ex tenebris lux

Nós aqui na Jambô ficamos muito empolgados quando Victor Lucky, a misteriosa entidade que habita o Twitter e grupos de Discord, lançou seu single Ex Tenebris, Lux, inspirado no romance O Terceiro Deus, de Leonel Caldela. Aproveitando o lançamento e a recepção que a comunidade teve do projeto, trouxemos o bardo em pessoa para falar como foi o processo de criação da música e do clipe!

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Ex Tenebris, Lux: Transformando a Tormenta em música

Por Victor Lucky

No dia 14 de novembro, lancei meu primeiro single: Ex Tenebris, Lux. Inspirado no cenário de Tormenta, decidi escrever e produzir uma canção que falasse dos Cavaleiros de Corvo, a ordem de cavalaria que apareceu em O Terceiro Deus, um dos romances do cenário.

Minha música tem sido muito bem recebida pelos fãs do cenário e até mesmo pela equipe que produz e escreve o meu RPG favorito no mundo. Com toda essa recepção, muitas pessoas quiseram saber mais sobre o processo de composição e produção. Estou aqui para falar um pouco sobre esse isso e responder a algumas dúvidas comuns.

Transformando inspirações em ideias

Escrever uma música é muito parecido com contar uma história. Você precisa de um tema, de argumentos, conflitos e resoluções. Mas o começo do processo é sempre uma ideia. Que história você quer contar? Eu queria falar sobre os Cavaleiros do Corvo. Queria que fosse uma “música de guerra”, algo simples, mas eficiente, que contasse a história indo direto ao ponto.

Ir direto ao ponto foi o primeiro obstáculo. Sempre fui tecladista e resistir ao impulso de colocar várias camadas de teclados e orquestrações foi uma necessidade imediata. Preferi limitar os teclados apenas ao essencial e mantive o foco nas guitarras, que considero um instrumento poderoso, adequado a cavaleiros que arriscam a vida contra a Tempestade Rubra. Sentei-me com uma guitarra no colo e comecei a experimentar, assim surgiu a melodia que serviria como tema central da música.

O compasso 6/4 foi pensado para ser uma marcha misturada com uma valsa. Nenhum detalhe ocorre por acaso.

Quando terminei de escrever todo o instrumental, a música já tinha nome: Ex Tenebris, Lux foi batizada pelo lema dos Cavaleiros do Corvo, “das trevas, trago a luz”, misturado ao meu antigo caso de amor com a língua latina. Eu ainda não sabia que o título faria parte da letra, isso viria a seguir…

Português ou inglês? Quero ambos!

Qualquer fã de Power Metal conhece muito bem músicas que cantam sobre temas de heroísmo fantástico. Ainda que eu não considere Ex Tenebris, Lux como uma canção do gênero, é impossível não identificar influências e similaridades. Essas músicas são quase sempre cantadas em inglês, mas Tormenta é um cenário 100% brasileiro, e agora?

A ideia original sempre foi escrever a letra em português. Para mim não fazia sentido promover um lançamento anglófono inspirado em literatura brasileira. A ideia de fazer uma versão em inglês da letra veio depois, por sugestão de uma amiga, e acabou virando um “lado B” do projeto. Não é uma tradução exata, isso seria impossível, mas uma releitura da letra original. Dessa forma, o clipe e todo tema original do single seriam em português, mas com aquele extra para as pessoas que preferem ouvir temas medievais na língua inglesa.

Gravação e produção

Eu falei acima que escrever uma música é como contar uma história. Pois é, gravar uma música é como escrever um conto. É muito fácil se render ao impulso criativo de querer fazer tudo de uma vez só, mas a partir do momento em que já está tudo planejado, faz bem ter paciência e ir com calma. Impus uma limitação de gravar não mais que um instrumento por dia. Isso me obrigou a ter uma dose extra de carinho em cada etapa da produção. Cada parte gravada foi ouvida com atenção e regravada de acordo com a necessidade. Demorei horas para gravar todas as guitarras de maneira satisfatória, e tudo bem. O baixo me levou menos de 15 minutos, e tudo bem, também.

O vocal foi algo bem desafiador para mim. Não costumo cantar, mas quando canto, mostro claramente as minhas influências de música pesada. Gosto de gritar, fazer drives e efeitos com a voz, mas essa música era uma canção de guerra e nada disso era necessário. Cortei os excessos e investi numa linha vocal limpa e tranquila, com exceção do refrão que canta o título da música. O coro de “Cavaleiros do Corvo” evocando a frase em latim foi gravada em 7 partes sobrepostas, cada uma em um registro vocal diferente.

A mixagem e masterização são o polimento de qualquer produção. É o que transforma pedaços de música numa obra concisa. O maior desafio desse processo está na principal ferramenta utilizada: os ouvidos. Existem diretrizes e sugestões, mas no geral, é o ouvido do produtor que determina se está bom ou não. Para mim foi o processo mais longo e demorado, mas um dos mais gratificantes também. Ver sua performance bruta se transformando em algo que você se orgulha de ter feito é muito especial.

Câmera e ação!

Em algum momento pensei “já que vou lançar essa música, eu poderia fazer um clipe também, né?”. Imediatamente me imaginei gravando em alguma floresta, porque é isso que as bandas de Power Metal fazem. Mas só ir para o mato e gravar me pareceu meio sem graça, eu queria dar um contexto para o clipe, contar uma história junto com a música.

Foi quando surgiu a ideia de começar com uma “mesa de RPG”. Vazia, porque afinal a produção foi individual, mas viva de algum jeito. As vozes da “sessão” que acontece na mesa são de integrantes do meu querido grupo de RPG da adolescência. Foi com aqueles caras que conheci Tormenta, e foi com eles que cresci jogando 3D&T, GURPS, Pathfinder e uma quantidade obscena de Lobisomem. Pareceu a ideia perfeita na hora, e fiquei muito feliz que deu certo.

As imagens onde eu apareço foram filmadas pela minha esposa, Maurine Cardoso, e eu mesmo fiz as outras tomadas. O clipe foi inteiramente editado e produzido por mim e, surpreendentemente, deu bem menos trabalho do que eu esperava.

Claro que eu jamais faria um videoclipe inspirado em Tormenta sem evocar a clássica piada feita por Leonel Caldela num antigo Podcast da Dragão Brasil e hoje repetida o tempo todo: “tem que acabar o Victor Lucky”. Isso ficou como bônus para os observadores, bem no finalzinho do vídeo.

O valor de Sabedoria na ficha parece correto.

Tá na hora de lançar!

No final de setembro eu anunciei no Twitter que iria lançar um single inspirado em Tormenta. Começou ali um hype que eu não esperava, mas com o qual precisei aprender a lidar. A postagem foi curtida por bastante gente da comunidade e até por autores do cenário. Naquele momento, em que eu tinha acabado de gravar os vocais e ainda tinha muito chão pela frente, eu sabia que tinha que garantir que o produto final ficaria legal.

Eu ainda não tinha terminado a mixagem, eu ainda não tinha clipe, eu ainda não tinha uma capa. Mas como todo processo criativo, se resolveria com trabalho e determinação. Nas semanas que seguiram eu comentei no Twitter um pouco sobre atrasos que aconteceram, como eu estava aprendendo com o processo todo e sobre como eu aprendi que não adiantava reclamar, era necessário arregaçar as mangas e continuar seguindo em frente.

Até que veio o dia do lançamento, e o resultado está aí para todos os que quiserem ver e ouvir.

Vem mais coisa por aí?

Há algum tempo eu não escondo mais que tenho várias músicas inspiradas em Tormenta, a maioria ainda inacabada. Talvez a experiência de lançar Ex Tenebris, Lux seja o incentivo que preciso para terminar mais algumas e enviar para o público. É um trabalho completamente por amor, é fanart no mais puro sentido da palavra, mas dá um gosto imenso. Tormenta está comigo há tanto tempo que é de lá que veio o meu “nome artístico” que uso há quase tanto tempo quanto o cenário existe, “Lucky”, inspirado no bardo mais famoso de Arton.

Lançar esse single foi uma jornada incrível. Recomendo a qualquer um que queira tentar fazer algo parecido.

Arte da capa pelo talentosíssimo Marcelo Almeida (@marcelodigitalartist no Instagram).

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