Categoria:Literatura e diversão

O drow Drizzt: o personagem que nasceu para ser protagonista

Na direita Drizzt, com roupas escuras e cabelos brancos. Ele segura uma espada virada para baixo na mão direita e tem a mão esquerda apoiada no dorse de uma pantera negra, ao seu lado. No fundo luzes arroxeadas e uma imensa caverna

A ordem de leitura dos romances do drow Drizzt

Não é segredo que existem diversas trilogias e quadrilogias de romances com o drow Drizzt e, com elas, algumas ordens de leitura possíveis. Muito antes de Star Wars popularizar o conceito de prequel, o escritor R. A. Salvatore fazia isso com esses romances incríveis e, principalmente, com esse personagem instigante.

Hoje vamos entender como o mais famoso personagem de Dungeons & Dragons foi de coadjuvante para protagonista na mesma velocidade de um golpe rápido de cimitarra! (mais…)

Comédia nos livros e nas mesas

Olá, Aventureiros!

Estava aqui revisando o vol. 2 da Era das Arcas, light novel de 3DeT Victory (vem aí!), quando me peguei pensando que seria legal falar sobre um gênero tão caótico e divertido e que faz parte dessa história.

Hoje vou trazer um tema diferente que pode (ou não) ser interessante para você: Comédia.

A maioria das minhas obras escritas, publicadas ou não, têm a comédia como um dos gêneros principais. Isso se estende também à algumas personagens que crio nas campanhas de RPG. 

Com isso, quando participo de entrevistas ou rodas de bate-papo sempre tem alguma pergunta relacionada a escolha desse gênero e conselhos de uso. Antes eu respondia que não pensava muito em como utilizar a comédia, que a escolhia por ser mais fácil na hora de desenvolver ou porque me agradava como leitora. 

Até um dia ouvir de um autor que ele admirava quem escrevia comédia, pois fazer alguém rir através de um texto era tão difícil quanto fazer alguém chorar. Foi aqui que percebi que havia uma ferramenta valiosa em minhas mãos que poderia ser usada de forma mais eficiente e com coerência, que eu podia abrilhantar mais as minhas histórias e criar experiências mais divertidas e reflexivas (por que não?) para o leitor.

Como trabalhar com a comédia

Você já parou para analisar como os gêneros são utilizados em uma obra? Em um livro de suspense,  já se pegou compreendendo como a cena é construída para te deixar tenso? De onde o autor parte até que você seja pego de surpresa e seu queixo caia em um romance policial?

Gerar emoções e sentimentos com as palavras pode ser desafiador e precisa de cuidado.

Para conseguir alguma reação do leitor, o autor precisa plantar uma sementinha lá atrás para que floresça lá na frente. Dizer isso é apenas uma ponta do trabalho, se você selecionar sementes ruins, não cuidar bem da terra e esquecer de regar, todo o trabalho poderá ser em vão ou não fará sentido. Entende?

Ou seja, para uma história/personagem ser engraçada, ela precisa ter construção para isso.

Quer dizer que para escrever comédia é necessário uma longa descrição e acontecimentos até chegar no objetivo?

Sim e não. Depende.

Uma boa piada não é longa. Ela precisa de ritmo, gerar curiosidade e surpreender. Uma história de comédia ou personagem parte das mesmas regras, porém precisa de constância e desenvolvimento para não acabar se tornando uma anedota aleatória.

Não fale, mostre

Essa é uma dica clássica de escrita. Se um personagem é engraçado, ele precisa fazer algo engraçado. Simples.

Saber dosar essa característica também faz parte da boa comédia. Imagina que chato aquele personagem que solta uma piada toda vez que abre a boca? Aí o leitor vai estar revirando os olhos ao invés de rir.

Fazer comédia não é apenas colocar piadas no meio do texto, é construir uma cena engraçada.

Aqui a comédia pode ser comparada ao suspense. Pegar o leitor de surpresa, seja com um comentário inesperado ou uma situação rápida e sem aviso, é uma ferramenta muito eficiente. Mas, como o suspense, deve ser usado na hora certa para funcionar.

Bons exemplos de livros de comédia, para exemplificar, são os da trilogia de cinco livros do O Guia do Mochileiro das Galáxias. Os personagens não estão ali para serem alívios cômicos, eles vivem situações que são cômicas. Com diálogos e acontecimentos absurdos, todo o enredo é feito para fazer o leitor rir (e pensar).

Se você já leu, me diga se já não se pegou olhando para o nada e rindo de algo que parecia tão simples, mas que da forma que foi mostrado ficou genial e hilário?

A comédia no RPG

Uma das coisas mais legais no sistema de Tormenta20 é que você consegue criar histórias escatológicas como as do Leonel Caldela, e engraçadas como as do Marcelo Cassaro

Holy Avenger e Paladina são exemplos magníficos de comédia no cenário de Tormenta. Cassaro tem uma forma leve e direta de fazê-la, pontos que me inspiro muito. Sendo apenas um dos recursos usados, a comédia auxilia no desenvolvimento de uma história épica e aventuresca.

E nas mesas não posso deixar de citar a Guilda do Macaco, Fim dos Tempo, Arena de Valkaria. Vai me dizer que nunca deu uma gargalhada com algum NPC engraçadinho, uma fala espontânea, um tomate arremessado?

Fazer o outro rir gera aproximação, deixa o clima mais leve e pode criar as cenas mais memoráveis na mesa.

3DeT Victory

As primeiras light novels estão sendo produzidas e foram escritas por mim e pelo Marcelo Cassaro. Com muita comédia e elementos fantásticos, iremos apresentar um pedaço deste novo cenário e prepará-los para essa nova versão.

Você pode acompanhar algumas mudanças e curiosidades através da Dragão Brasil!


E aí?

Já pensou em criar algo com comédia? Você já usa esse recurso nas suas mesas ou textos?

Aproveita para deixar dúvidas ou contar suas experiências!

Até a próxima!

 

Terror: o que é e por que é o meu gênero favorito

Terror: o que é e por que é o meu gênero favorito

Eu poderia dizer sem titubear que Terror é meu gênero favorito. A duvida na questão toda é: por quê?

Nesse artigo, resolvi falar um pouco sobre os motivos de me encantar tanto com esse gênero muitas vezes menosprezado pelos categorizadores de literatura. Confere aí!

O que é terror?

Como definir o gênero terror? Decerto surge na cabeça da maioria dos leitores a insolente palavra “medo”. Sim, mas de quê? Um monstro que conhece todos seus pesadelos, vampiros, lobisomens, a escuridão… homens!

Poderíamos falar de aracnofobia, agorafobia, destruindo iniciosfobia (uma pequena piada interna do Grupo Papo de Autor) e tantos outros temores que cercam o ato de viver, e, mesmo assim, não chegaríamos no real motivo de gostarmos tanto de assistir algo assustador.

Não posso afirmar um motivo global para esse desejo pelo terrível, talvez chegue perto com minhas ilusões como um escritor do gênero, provavelmente passe longe. O meu maior medo pode ser errar ao escrever um artigo. Ou é justamente ele o que me move a escrever sempre mais?

Esse sentimento é visto como algo natural, ruim, instintivo, caótico e necessário. Ele nos rege a sempre ir em frente, punho fechado, peito cheio e cabeça erguida. Ou ele nos joga debaixo da coberta, pernas frouxas, olhos semicerrados, lábios trêmulos… o medo é fascinante, e nossa falta de domínio sobre ele enche as páginas dos livros.

O terror é o gênero que mais mexe com os sentimentos?

A adrenalina formigando meu cérebro quando a música tensa deixa os falantes no cinema e serpenteia por minha coluna, enquanto meus pelos aplaudem de pé, a sensação de impotência, o desejo de mudar a situação mesmo sendo só um telespectador, o grito enroscado na garganta, como uma criança birrenta se recusando a sair do parquinho.

Essa inquietação ao virar página por página, o segredo oculto nos sentimentos dos personagens. O horror brinca com nossa mente, deturpa nossos sentidos e acende o fogo infinito de nossa imaginação. Como podemos gostar disso?

chuck o brinquedo assassino

Lembro-me bem de quando era uma criança e fui indevidamente apresentado ao Chuck, o brinquedo assassino. Meu irmão e eu éramos de família pobre e por essa questão dividíamos a cama (o que deve ter sido seu terror, já que eu me mexia a noite inteira como se  Freddy Krueger dançasse ragatanga comigo) e essa experiência mexeu tanto com minha cabeça que passei a noite inteira levantando da cama, fechando a porta e deitando.

Poucos segundos depois, levantava novamente da cama, abria a porta e me deitava. Tudo isso por indecisão minha: havia o Estrangulador de Lakeshore entrado no quarto e a porta deveria ficar aberta para facilitar minha fuga, ou ele estava lá fora e a porta fechada dificultaria sua entrada?

Até hoje não sei a resposta dessa equação, mas se perguntarem qual filme de comédia ou drama marcou minha infância, com certeza terei que me esforçar para responder.

Monstros no armário?

Trauma superado, me pergunto se o  horror verdadeiro estaria escondido nas entranhas do desespero dos personagens.

Stephen King é meu escritor predileto quando o assunto é terror, porem, não vem dele a obra dona do primeiro lugar no meu pódio. Eu Sou A Lenda, de Richard Matheson, é a vencedora. Aposto que você cravou que um provável amor por vampiros e distopias alavancaram esse livro na minha lista, e afirmo com todas as letras: você errou feio.

Não, monstros sedentos para se embebedar do meu sangue não me assustam, tampouco o medo de ser o ultimo homem da Terra. Richard Matheson foi brilhante ao nos prender no maior dos terrores: nossa consciência. Explico como.

Dormir sem saber se vai acordar, a falta de água, comida… eletricidade. Nada disso é tão pesado quanto os pavores éticos perambulando por uma mente perdida após a perda da vivência em sociedade.

A solidão é amedrontadora não pelos perigos que acoitam o lado de fora da casa bem protegida de Robert Neville, mas da mente desnuda, fragilizada e passeando sem um guarda-chuva para se equilibrar na linha tênue da sanidade.

O maior terror do protagonista são seus atos, suas vontades. Neville se esforça não para ser um sobrevivente, mas para continuar sendo um humano. Dia após dia, ou melhor, noite após noite, o ultimo homem da Terra vê em seus desejos carnais algo pior que o vampirismo que vitimou toda a população.

O terror na literatura

Quando o autor traz o terror psicológico em primeiro plano, posso dizer que estou satisfeito.

Nada de pernas voando e dentes afiados, o que entala na garganta mesmo é lutar junto com o personagem contra a loucura de uma realidade na qual seus instintos  são a lei, a ordem e o caos. Policiar-se a si mesmo, eis a questão.

E é isso que me encanta no terror. Parte do medo de Victor Frankenstein não era do monstro em si, mas dos danos que sua criação poderiam causar (e causaram) à sociedade.

A genialidade nos autores não é criar a criatura mais assustadora que alguém já viu. O conflito que nos leva ao pesadelo é não saber o quanto de nós torce para o médico, e o quanto de nós vibra pelo monstro.

O que são fanfics e como elas estão ganhando o mercado editorial

Quando os fãs resolvem usar da imaginação para construir novas histórias em seus universos favoritos, nascem as fanfics. Conheça um pouco sobre essas obras criadas por fãs e fique sabendo como algumas dessas obras ganharam o mundo.

O que são as fanfics?

Fanfic é a abreviação de fan fiction, uma expressão em inglês que se traduz para “ficção de fã”. Ou seja, é quando um admirador se inspira em uma trama consolidada no mercado para criar uma história própria, decidindo novos destinos e situações para personagens criados por outra pessoa.

Um enredo seu com personagens da cultura pop? Parece uma ótima ideia e realmente é!

Muitas pessoas se enganam ao acreditar que as fanfics nascem e morrem como histórias de “gaveta”, pois existem vários exemplos conhecidos de best-sellers que surgiram a partir de uma história de fã.

Para citar alguns exemplos

Posso começar citando 50 Tons de cinza, romance hot que lotou tanto as filas dos cinemas quanto as livrarias. E.L James nunca escondeu a origem de seu renomado livro: Crepúsculo. Sim, 50 tons de Cinza é uma fanfic adaptada do best-seller.

Bella e Edward foram transformados em Anastasia Steele e Christian Grey, o livro perdeu o universo vampiresco para ganhar tons mais sensuais e o vampiro se tornou um playboy rico com desejos incomuns.

 

Os protagonistas das adaptações cinematográficas de 50 tons de Cinza e Crepúsculo. A imagem foi montada pelo site Antena 3.

 

Outra história que atravessa os séculos e é oriunda de outra história é Romeu e Julieta. Um dos dramas trágicos mais famosos do mundo é uma fanfic do poema de Arthur Brook.

Assim, percebemos que as fanfics abrem diversas possibilidades e vem ganhando público rapidamente. Muitas histórias chegam a milhares, algumas vezes milhões, de leituras na internet, agradando os fãs e perpetuando grandes obras.

No Brasil, não é raro uma fanfic ser adaptada e ganhar contornos próprios. Aqui, eu cito Astral, de Marcela Alban, que nasceu com Naruto, Sakura e companhia como personagens principais de uma história baseada no universo de Masashi Kishimoto. A fanfic, entretanto, transformou-se em uma história sobre Milena, a louca dos signos, em seus julgamentos e desventuras.

 

Romeu e Julieta interpretados por Claire Danes e Leonardo DiCaprio no filme Romeo + Juliet, de 1996.

A evolução das fanfics

Definir quando as fanfics começaram é quase impossível. De Romeu e Julieta a Star Trek, de Crepúsculo a Star Wars, os fãs há anos investem seu tempo em histórias baseadas em seus livros e filmes favoritos.

Esse tipo de literatura popularizou-se na década de 60 no resto do mundo. E no Brasil, vem ganhando uma quantidade de fãs cada vez maior nas redes sociais e sites especializados.

A popularização da internet é um evento crucial para o crescimento dessa categoria. Blogs dedicados a escrita e redes sociais voltadas aos escritores tornaram o escrever e disponibilizar histórias mais democrático e acessível, abrindo espaço nesse meio. Claro, como tudo na vida, esse crescimento trouxe vantagens e desvantagens ao ramo da escrita.

 

Star Wars e Star Trek, duas franquias que geram muitas fanfics. A imagem foi montada pelo site Screen Rant.

 

Enquanto a possibilidade de escrever sobre personagens favoritos cobriu a internet, trazendo textos mal-acabados, publicações sem qualquer tipo de revisão e um mundaréu de obras escritas sem o mínimo de cuidado, fomos também agraciados com histórias bem acabadas, tramas envolventes e autores dedicados e determinados a entregar o seu melhor para o público.

Se ainda existe certo preconceito por leitores que não gostam de fanfics por apostarem na falta de originalidade, esse preconceito vem diminuindo conforme os autores se dedicam mais e mais para entregar uma história coerente. Os leitores de fanfics procuram algo
inédito e criativo, que mantenha a coerência com o universo inspirado.

Existem fanfics focadas em responder pontas soltas nas histórias, aplicando teorias discutidas no meio aos fãs e muitas vezes tão interessante quanto o plot da obra.

A fanfic de Naruto que virou uma comédia sobre signos

Antes de lançar Astral pelo selo Odisséias da Jambô, Marcela Alban atingiu a incrível marca de 60 fanfics escritas.

A experiência da autora com a escrita é traduzida na qualidade da obra. E é por isso que, apesar de ser seu primeiro livro lançado, Astral é maduro, bem construído e tem uma narrativa coerente. O livro foge dos erros comuns de autores iniciantes e da habitual pressa que o escritor tem de lançar seus “filhos” para o mundo.

Marcela é prova de que um autor consegue adquirir experiência criando textos baseados em um universo existente, além de conseguir amadurecer uma ideia e, de maneira eficiente, entregar um livro de qualidade.

 

Marcela Alban e seu livro, Astral.

 

Como dito anteriormente, Astral é oriundo de uma fanfic de Naruto. Marcela aproveitou os personagens e descreveu os signos conforme a data de aniversário real deles. Naruto, por exemplo, é libriano e a personagem que o substituiu em Astral também é.

Ao decidir lançar Astral, a autora transformou a história sobre um de seus personagens preferidos em um livro engraçado sobre Milena, uma louca por signos que julga as pessoas de acordo com seu Mapa Astral. A sagacidade do livro e sua originalidade são traços marcantes.

Marcela consegue prender o leitor modelando os personagens conforme a trama avança, deixando trilhas e cenas hilárias que fazem o leitor querer ler a próxima página e descobrir como Leonel, um leonino irritante e sedutor, vai conseguir reverter a opinião dos astros!

Com personagens carismáticos e uma escrita leve e cadenciada, Astral não parecia despercebido pelos editores do selo Odisseias, mesmo sendo uma história vinda de uma fanfic. Astral foi lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2019.

Tudo isso começou com uma história que tinha como intenção apenas a satisfação própria, e acabou como um lançamento em um dos maiores eventos de livros no Brasil.

E você, terminou de ler pela quinta vez seu livro favorito? Sente falta das tiradas engraçadas de um personagem querido? Gostaria de conhecer outros pontos de vista daquele mundo tão bem criado por um escritor renomado? Dê uma chance às fanfics, descubra um mundo novo e divertido e aproveite para conhecer um pouco mais sobre autores com potencial e criatividade.